Sotavento Tarrafal Santiago

Tarrafal foi criado no início do séc. XX, quando duas freguesias a norte do antigo Concelho de Santa Catarina foram separadas para constituir o Concelho do Tarrafal.
Órgãos Eleitos 
Contactos
Contexto histórico
Situação Socioeconómica
Actividades Económicas
Turismo
Ambiente
Cultura
Género
Órgãos Eleitos 
Órgãos Eleitos

Actualmente a Câmara Municipal é constituída por um executivo de 7 membros, o presidente da Câmara e seis vereadores; a Assembleia Municipal é constituída por 17 membros eleitos em simultâneo com a Câmara Municipal.
 
Constituição da Camara Municipal
José dos Reis Lopes Varela
Emília Vaz Almeida Coimbra
Arnaldo Andrade Ramos
Teresa Ramos Correia
Jednilson de jesus Silva Landim
Osvaldo Monteiro Chantre
Maria Zita Varela Correia
 
Constituição da Assembleia Municipal
Adilson Fortes da Costa - PAICV
Maria Rosa Lopes Semedo - MPD
Leopoldina Maria Santos Sousa Almeida da Costa - PAICV
Pedro da Silva Gomes - MPD
Ronaldo Carlos Rodrigues Cardoso - PAICV
Mirian Sorraia Amarante de Sousa - MPD
José Carlos Tavares Gonçalves - PAICV
Natalina de Jesus Leal Cardoso - PAICV
Manuel Marcelino Tavares Landim - MPD
Adelino Domingos Gomes da Silva - MIT
Moisés Fernandes Silva - PAICV
Eveliny Patrícia Fernandes da Lomba - MPD
Yury David Lopes Pereira - PAICV
Nicolau Garcia Monteiro - MPD
Adelaide de Pina Lopes - PAICV
António Correia Gonçalves - MPD
Octávio Fortunato Sanches - PAICV
 
 
Delegações Municipais 
 
O Concelho possui duas Delegações Municipais:
 
Delegação de Achada Tenda;
Delegação de Chão Bom.
 
São 20 as localidades do concelho de Tarrafal: Achada Meio, Figueira Muita, Ribeira da Prata, Curral Velho, Achada Longueira, Milho Branco, Mato Mendes, Lagoa, Achada Lagoa, Mato Brasil, Biscaínhos, Achada Moirão, Achada Tenda, Achada Biscaínhos, Ribeirão Sal, Ponta Ribeirão, Trás-os-Montes, Fazenda, Chão Bom e Vila.
Contactos
Contactos

 

Endereço: Vila do Tarrafal

 

Telefone: (+238) 266 11 55

                  (+238) 266 13 98

 

Fax:           (+238) 266 11 75

Contexto histórico
Contexto histórico do município
 
A evolução histórica do concelho do Tarrafal, um dos mais antigos de Cabo Verde, está intimamente associada ao processo da divisão administrativa de Cabo Verde em geral e da Ilha de Santiago em particular. 
 
Em 1834 esta região então denominada freguesia do Tarrafal estava confinada ao concelho de Santa Catarina e, a partir dos anos seguintes a sede deste concelho localizou-se alternadamente entre Picos, Achada Falcão e Tarrafal (1869 - 1912).
 
Após a independência de Cabo Verde no ano de 1975, o concelho passa a ser administrado por um Delegado do Governo. Em 1991, é eleito o primeiro Presidente da Câmara Municipal do Tarrafal. A partir dos anos 80, o concelho conheceu um crescimento desmesurado e desordenado, em resultado de uma massiva mobilidade espacial da população e ausência de instrumentos de gestão territorial (Planos de Ordenamento e Planeamento do Território).
 
 
Criação
O concelho do Tarrafal foi criado pelo Decreto – Lei nº 3108, publicado no Boletim Oficial nº 3, de 25 de Abril 1917, agrupando as freguesias de Santo Amaro Abade e São Miguel Arcanjo, com sede na “vila” do Tarrafal, permanecendo esta configuração administrativa até 1997, ano em que foi criado o concelho de São Miguel, passando o concelho do Tarrafal a abarcar apenas o espaço territorial de Santo Amaro Abade. 
 
Em 1936 foi criado o Campo de Concentração de Tarrafal com o objectivo de acolher presos políticos e que foi legalmente encerrado em 1954. Denominado o Campo da Morte Lenta, ali se praticava tortura física e mental. Na década de 70, a construção da estrada da Serra Malagueta ligando Assomada e Tarrafal contribuiu decisivamente para o desenvolvimento do concelho, ao melhorar a qualidade da acessibilidade.
 
A capital do Município do Tarrafal foi elevada à categoria de cidade em 2010 através da Lei nº77/VII/2010, embora na altura já era uma vila com as características de um centro urbano. O governo da cidade é assumido pela Câmara Municipal nos termos dos Estatutos dos Municípios, definidos pela Lei nº134/IV/95 de 3 de Julho, que a atribui aos Municípios amplos poderes de gestão sobre o seu território, abrangendo a habitação, o saneamento, o ambiente, a segurança, a saúde e a educação.
 
 
Localização geográfica
A cidade de Tarrafal de Santiago está localizada na orla costeira a Noroeste da ilha de Santiago, com o seu núcleo central instalado sobre a arriba costeira sul da baía do Tarrafal. Corresponde a uma cidade de malha aberta, um pequeno centro de ruas alinhadas e pavimentadas, uma vasta auréola dominada por construções baixas, sem pavimento nas ruas e alinhamento difuso.
 
O centro da Vila do Tarrafal foi instalado numa planura costeira sobre uma arriba defronte à baía do Tarrafal, onde existiriam mangais na foz da ribeira. Esta localização terá justificado a sua escolha para a sede do concelho de Santa Catarina nos finais do século XIX, pois o princípio que norteou a extinção da Câmara da Ribeira Grande de Santiago era estabelecer uma nova divisão da ilha tendo por sede dois portos, respectivamente no extremo Sul da ilha onde estava a vila da Praia de Santa Maria (cidade da Praia) e no extremo norte no Tarrafal.
 
 
População
Com uma superfície de 112,4 Km2, e uma população de 18.565 habitantes em 2010, o concelho do Tarrafal apresentava uma densidade de 165 habitantes/Km2, superior à média nacional de 122 hab./Km2, apesar de representação apenas 3,8% do total dos residentes a nível nacional. O crescimento demográfico foi e 0,4% entre 2000 e 2010, a população feminina representava 62,7% dos residentes em 2010. Nessa mesma data 33,3% da população residia nos centros urbanos e 66,7% no espaço rural.
 
Apesar de ocupar uma vasta área é uma cidade modesta à escala nacional. No ano 2000, a então vila do Tarrafal tinha uma população de 5.772 habitantes, 2662 homens e 3110 mulheres em 1.293 agregados familiares, representava 32,5% dos 17.784 habitantes residentes no concelho do Tarrafal.
Situação Socioeconómica

Situação socioeconómica

A cidade do Tarrafal evoluiu a partir de uma aldeia portuária que teria assumido as funções de capitalidade do concelho de Santa Catarina nos finais do século XIX. A área urbana limitava-se à antiga vila colonial, residência de quadros administrativos e comerciantes no entorno da praça municipal, onde se situavam a igreja e a escola principal.

Nos bairros pobres residiam os pescadores e trabalhadores ocasionais. Registamos que até a década de sessenta do século XX, a população da ilha de Santiago era essencialmente rural acontecendo o mesmo no concelho do Tarrafal, pelo qua a então vila do Tarrafal tinha uma modesta dimensão no quadro dos centros urbanos do país.
 

Habitação

De acordo o Censo do ano 2000, 88,1% da população vivia em casas independentes e 11,9% em apartamentos. Na cidade não existem barracas, nem construções de materiais frágeis como madeira, chapa metálica ou cartão tipo “bidonvilles”. As construções espontâneas são dominadas por casas de blocos de cimento e cobertas de betão ou de telha, geralmente estão inacabadas por razões já expostas. As grandes limitações de conforto estão associadas ao deficiente acesso às infra-estruturas e serviços urbanos, inexistência de rede de água e esgotos, falta de pavimente nas ruas, energia eléctrica deficiente.

 Á semelhança do que acontece nos pequenos centros urbanos da ilha, na cidade do Tarrafal uma grande parte da população vive em casas próprias. Como vimos as construções são feitas através de “djunta mó” e as obras avançam paulatinamente em função dos recursos disponíveis, dominando uma paisagem de casas inacabadas, de cor cinzenta dos blocos sem pintura nem caiação.

 Os edifícios mais antigos são de estilo clássico, de um piso, totalmente concluídos, correspondendo na maior parte cada edifício a uma moradia e destinado quase exclusivamente à habitação.

 Na promoção de habitação social, tem havido grupos organizados como as cooperativas de habitação, ONGs, acções caritativas, que promovem a requalificação urbana e construção de habitação para as classes mais pobres.

 

 Agua

O abastecimento de água constitui um dos grandes problemas de Cabo Verde tanto no espaço rural como nos centros urbanos. Na cidade do Tarrafal o abastecimento de água é assegurado pela concessionária Municipal - Serviço Autónomo de Água e Saneamento (SAAS), que gere a exploração das infra-estruturas de abastecimento de água: captação, tratamento, e distribuição para consumo público.

 O sistema de abastecimento de água no concelho compreende mais de 90 quilómetros de rede. A totalidade de água para consumo doméstico e industrial é proveniente de captações subterrâneas, mediante furos, localizando-se todas as captações actualmente em serviço no território concelhio.

 As melhorias registadas, sobretudo nos centros urbanos, permitem às famílias maior acesso à água potável, continuando a haver ciclos de crises associadas às dificuldades de abastecimento regular e em água de boa qualidade. De acordo com os dados do Censo de 2010, no concelho do Tarrafal 67,3% das casas estavam ligadas à rede pública o que representa uma taxa superior aos 54,4% que representa a média nacional. Na mesma data 50% das casas possuíam instalações sanitárias; 31% tinham banheira com duche ou com chuveiro. No entanto, apenas 5% estavam ligadas à rede de esgotos e 48% tinham fossa séptica. 

 A actual rede de distribuição de água domiciliária é constituída por: 11 furos, 2 nascentes e 2 galerias. Segundo o INE através do QUIBB 2007, 62,3 % da população já é servida com água canalizada e 23,9 % é abastecida através dos chafarizes públicos.

 

Saneamento

A cidade do Tarrafal e Chão Bom é servida por uma rede de esgoto ligada a uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Actualmente existem cerca de 260 casas (fogos) ligadas à rede esgoto, sendo 227 na cidade e 33 em Chão Bom. 

Os dados do QUIBB 2007 indicam que ainda continuam algumas práticas que são prejudiciais para o ambiente, visto que, a maior parte da população continua a lançar as águas residuais ao redor das casas. Verifica-se ainda que uma porção considerável da população não tem WC, nem retrete/latrina, cerca de 55% da população, significando que continuam a utilizar a natureza para se desvencilharem dos seus resíduos.

 O sistema de limpeza e recolha de resíduos sólidos abrange as localidades da cidade do Tarrafal, Chão Bom, Ribeira das Pratas, Achada Moirão, Trás-os-Montes e Achada Tenda. Na cidade e Chão Bom a limpeza e a recolha feita diariamente das 5 às 11 horas de manhã. Em relação às restantes localidades abrangidas pelo sistema, a limpeza e a recolha é feita uma vez por semana no mesmo horário. 

Nos aglomerados populacionais de Ribeira das Pratas, Achada Tenda e Achada Moirão, verifica-se uma grande pressão e alargamento dos detritos domésticos (resíduos sólidos) que dão mostra da necessidade de uma rápida intervenção em matéria de recolha e tratamento. 

Verifica-se que o tipo de lixo produzido no concelho não é muito diversificado, não existem resíduos industriais porque a indústria é muito pouco expressiva, e de resto o lixo produzido é o orgânico, vidros, latas, cartão e papel.

 

Saude

Actualmente, o município conta com um Centro de Saúde, construído recentemente na zona de Matadouro capacitado para internamento e consultas. O município conta ainda com 2 Postos Sanitários em Chão Bom e Chã de Junco, onde se realizam consultas periféricas, e 6 Unidades Sanitárias de Base (USB), localizadas nas zonas de Chão Bom, Achada Tenda, Trás -os-Montes, Ribeira das Pratas, Mato Mendes, Figueira Muita e Achada Meio. Em termos de recursos humanos, existem actualmente 5 médicos e 11 enfermeiros. 

Os Centros de Saúde não dispõem ainda de capacidade para a realização de exames complementares de diagnóstico. Estes exames são realizados no Hospital Regional de Santiago Norte, Cidade de Assomada ou no Hospital Agostinho Neto na Cidade da Praia.

No âmbito da saúde pública tanto os serviços municipais como as delegacias regionais deverão trabalhar em concertação com a estrutura educativa que tem escolas em todas as aldeias. Por esta via a rede do sistema educativo constitui um importante parceiro na promoção da qualidade do ambiente no Município.

 

Educação

Em relação ao Ensino Básico todos os núcleos urbanos dispõem de escolas para os seis anos de escolaridade, com diferentes níveis de qualidade em termos de equipamentos. O município dispõe de um total de 19 escolas EBI. 

No domínio do Ensino Secundário, existem 2 escolas secundárias, uma na cidade do Tarrafal e outra em Chão Bom. Actualmente o município não dispõe de qualquer infra-estrutura de Formação Profissional ou superior.

A rede de equipamentos é razoável e abarca os centros urbanos e as comunidades demograficamente mais importantes. Os equipamentos de Ensino Pré-escolar encontram-se, de uma forma exemplar, distribuídos pela quase totalidade das comunidades, num total de 2471 jardins-de-infância. 

 

Pobreza

O abandono das aldeias rurais remotas também foi provocado pela persistência da seca, por esta razão, as populações pobres excedentárias da actividade agrícola, migraram para a cidade da Praia, mas também para as sedes concelhias residindo nas proximidades das autoridades administrativas. Este quadro criou uma disparidade de tipos de construções nos centros urbanos, já que as populações mais pobres construíram habitações mais modestas, muitas vezes casas inacabadas com menos divisões, em bairros pobres ou em terrenos marginais.

A então vila do Tarrafal e a vizinha aldeia de Chão Bom não acompanharam o rápido crescimento demográfico com a instalação de infra-estruturas e de equipamentos urbanos, gerando o quadro caótico, com manifesta coabitação de vivência rural e urbana, nomeadamente criação de animais nas ruas, nos terraços e nos quintais, vida à porta aberta, lavagem de roupa e cozinha e outras actividades domesticas em plena rua.

O crescimento de bairros espontâneos resulta da elevada incidência da pobreza nos centros urbanos, sobretudo na população que migra para as cidades na perspectiva de encontrar melhores condições de vida. O problema persiste porque a situação de pobreza se reproduz e a franja da população que não tem acesso aos benefícios do crescimento económico do país tem permanecido na pobreza, que continua a expandir nos bairros espontâneos com a vinda de gente pobre, incluindo imigrantes da África Ocidental.

No plano económico a migração das aldeias remotas para a cidade gerou a concentração do desemprego na área urbana onde, entretanto, as actividades informais de sobrevivência apresentam um maior leque de alternativas.

Actividades Económicas

Atividades económicas

O concelho do Tarrafal apresenta pouca diversidade em termos de actividades económicas, sendo a agricultura de sequeiro dominante. Algum regadio, a pecuária, a pesca tradicional, o comércio, a construção e os trabalhos públicos constituem os principais meios de subsistência da sua população. O caracter sazonal da agricultura de sequeiro e a inserção de grande parcela do território em zonas áridas aumenta a vulnerabilidade da população, criando uma grande dependência de trabalhos ocasionais, frentes de trabalhos de emergência, etc.

No horizonte do ano 2000, o sector primário englobava 42,6% da população sendo 28,5% feminino e 14,2% masculino. O sector secundário com 15,4%, o sector terciário ocupando 39,3% da população com destaque para o comércio, serviços diversos, turismo. O sector privado ocupa mais de metade (55,3%) da população. A pobreza abrangia 44,2% da população no ano 2000.
 

Actividades económicas

O concelho do Tarrafal apresenta pouca diversidade em termos de actividades económicas, sendo a agricultura de sequeiro dominante. Algum regadio, a pecuária, a pesca tradicional, o comércio, a construção e os trabalhos públicos constituem os principais meios de subsistência da sua população. O caracter sazonal da agricultura de sequeiro e a inserção de grande parcela do território em zonas áridas aumenta a vulnerabilidade da população, criando uma grande dependência de trabalhos ocasionais, frentes de trabalhos de emergência, etc.

No horizonte do ano 2000, o sector primário englobava 42,6% da população sendo 28,5% feminino e 14,2% masculino. O sector secundário com 15,4%, o sector terciário ocupando 39,3% da população com destaque para o comércio, serviços diversos, turismo. O sector privado ocupa mais de metade (55,3%) da população. A pobreza abrangia 44,2% da população no ano 2000.

 

Agricultura

A maioria da população vive da actividade agrícola. Segundo o INE (Censo 2000) cerca de 33 população do Tarrafal vivia desta actividade em 2000. De acordo com a mesma fonte, INE (QUIBB CV – 2006) apenas 6% dos agregados familiares do concelho dependia desta actividade em 2006. A agricultura mais praticada é a de sequeiro, sendo o milho, os feijões (pedra, bongolon econgo), a batata-doce e a mandioca as culturas predominantes. Condicionada principalmente pela quantidade de precipitação, no sequeiro, os rendimentos são baixos e as produções bastante aleatórias. 

A agricultura de regadio é praticada em Colonato, Ribeira das Pratas e em pequena escala nas zonas de Lagoa, Achada Lagoa, Fazenda e Porto Formoso. As áreas mais importantes ficam junto à foz de Ribeira das Pratas e no Colonato de Chão Bom. Esta última, beneficiando de um solo de elevado valor agrícola (aluvião antigo) e de uma localização favorável em termos de acesso e distância dos centros urbanos e semiurbanos. Conjuntamente com Ribeira das Pratas, constituem as áreas mais produtivas de todo o concelho. A agricultura de sequeiro ocupa uma área de 2.708 hectares.

A área total ocupada pelo regadio ronda os 70 hectares. As áreas mais importantes são junto à foz de Ribeira da Prata e o Colonato de Chão Bom. Esta última, beneficiando de um solo de elevado valor agrícola (aluvião antigo) e de uma localização favorável em termos de acesso, e distância dos centros urbanos e semiurbanos. Ribeira Prata e Chão Bom constituem as áreas mais produtivas de todo o concelho. As culturas mais comuns são: a mandioca; as crucíferas (couve e repolho); a cana sacarina; a batata-doce; a batata comum; as fruteiras (principalmente mangueiras e papaieiras); o pimentão.

No tocante às infra-estruturas hidroagrícolas, o município dispõe de uma rede considerável de dispositivos, nomeadamente: diques de retenção e de captação das águas, reservatórios e levadas que aliados às obras de conservação de solos e água (banquetas, muretes, caldeiras) constituem um agregado de protecção ambiental, por todo o território municipal. 

As explorações agrícolas do município são todas irrigadas com águas subterrâneas, utilizando na sua maioria o tubo, como o principal dispositivo. Os constrangimentos, para a baixa produtividade, produção e rendimento do sector agrícola, estruturam-se a vários níveis, destacando-se a não conservação dos produtos, baixa fertilidade dos solos, deficiente gestão dos recursos hídricos e irrigação, problemas fitossanitários, falta de agricultores, deficiente integração da produção agrícola e pecuária, incipiente associativismo agrícola, mercado consumidor limitado e dificuldades no escoamento dos produtos.

 

Pecuária

Relativamente à actividade pecuária, de acordo com os dados de Recenseamento Agrícola de 2004, Tarrafal dispõe de um potencial pecuário caracterizado por explorações exclusivamente familiares de pequena dimensão complementadas com a actividade agrícola. 

O modo de criação do gado é livre, os animais encontram-se soltos nas achadas alimentando-se principalmente das vegetações espontâneas que surgem durante a época das chuvas. Os constrangimentos relativos a esta actividade relacionam-se com a comercialização dos produtos pecuários, transformação, fornecimento de factores de produção, assistência técnica, preservação do potencial genético das raças, pastoreio livre, sanidade, nutrição animal e manutenção do efectivo.

O concelho do Tarrafal chegou a ter a pecuária como a actividade mais importante e o Brasão de Armas do concelho no período colonial tinha o timbre de bovinos. No entanto, essa actividade veio a decair ao longo do século XX em anos de sucessivas secas e limitação das áreas de pastagem também associadas ao crescimento demográfico. 

Segundo dados do recenseamento geral de agricultura de 2004, os efectivos pecuários do Tarrafal eram expressivos à escala nacional, mas comparado com outros concelhos da ilha de Santiago, representavam uma posição modesta. Havia 2025 bovinos correspondentes a 13% dos efectivos da ilha de Santiago; 2371 ovinos, ou seja 28%, os caprinos 6488 10%; 6234 suínos, correspondentes a 12%. Apenas nos efectivos ovinos o Tarrafal superava os outros concelhos rurais da ilha de Santiago. 

Ressalve-se que a pecuária é uma actividade complementar e integrada na agricultura como acontece em toda a ilha de Santiago, sendo raro a dedicação exclusiva dos camponeses à actividade pecuária. Das 2854 explorações em 2004, 91,2% tinham a criação de gado como complemento. Constitui, no entanto, uma importante fonte de proteínas na alimentação e sobretudo uma reserva de recursos financeiros para os agregados familiares. 

 

Industria

O município do Tarrafal não dispõe de uma zona industrial onde as pessoas possam exercera sua actividade.

A actividade industrial do Tarrafal é muito reduzida, destacando-se pequenos empreendimentos privados em número reduzido, como por exemplo, oficinas de carpintaria, serralharia, padarias, estaleiros de blocos, oficinas de mecânica auto e bate-chapa. As oficinas de carpintaria/marcenaria e salões de beleza são empreendimentos que existem maior número, seguidos de serrilharia. Em menor quantidade são as oficinas de mecânica/bate-chapa e estaleiros de blocos, ambos com 4 unidades. 

O sector industrial é caracterizado por alguns constrangimentos dentro os quais poderá ser destacado a fraca organização das empresas, deficiente capacidade de comercialização dos produtos, altos custos de produção, mercado consumidor limitado, baixo poder de compra, carência de pessoal qualificado e a localização das unidades industrias em espaços inadequados.

 

Comercio

O comércio constitui uma actividade económica de grande animação nos centros urbanos e semiurbanos da ilha de Santiago, com destaque para o comércio informal que envolve um grande número de vendedores sobretudo na população feminina. Como acontece nas sedes dos concelhos o comércio está a jusante das importações, mas também associa actividade de feira com venda de produtos de agricultura, pecuária e pescas, artesanato e gastronomia tradicional.

As mudanças recentes introduziram a venda de materiais de plásticos, roupas, calçados, perfumaria e bugigangas importadas, com a proliferação de vendas nas praças e nas ruas. O sector informal tem dificultado um controlo rigoroso do sector pela administração, mas reconhece-se a sua importância pela população envolvida e sinais exteriores de bem-estar ostentados pelos seus praticantes.

No concelho do Tarrafal, assim como em vários outros pontos do país, o comércio informal envolve mais a camada feminina, tanto para produtos agro-pecuários como para roupas e materiais de uso doméstico. Este sector é predominado maioritariamente, por pequenos negócios do tipo mercearias e alguma venda ambulante de produtos que variam desde o pescado, produtos agro-pecuários frescos e transformados, peças de artesanatos, vestuários, calçados, entre outros. 

De entre os tipos de estabelecimentos comerciais destacam-se em maior número as mercearias, na segunda posição aparecem os bares e bares/restaurantes. Em outras localidades do concelho existem pequenas unidades de comercialização de bens de primeira necessidade. 

 

Pesca

A pesca, sobretudo a pesca artesanal, constitui uma actividade importante na economia de concelho, havendo vários portos de arrasto de botes tradicionais no perímetro do concelho. Os portos mais importantes são Porto de Mangue na baía verde, Chão Bom e Ribeira das Pratas. De acordo com dados referentes a 2001, no concelho do Tarrafal 531 famílias dedicavam-se à pesca. Na sua grande maioria, os pescadores utilizam pequenas embarcações abertas, com pequenos motores. O peixe é quase exclusivamente comercializado no concelho.

A pesca é depois da agricultura a actividade do sector primário mais importante. O necessário desenvolvimento no sector das pescas passa pela melhoria dos factores de produção, conservação e distribuição do pescado. A pesca do alto mar é quase inexistente e a pesca artesanal torna-se cada vez menos produtiva.

A construção de um cais de pesca em Chão Bom poderá vir a contribuir para o desenvolvimento da pesca artesanal e industrial no município. De igual modo, com o incremento do turismo e a demanda acrescida de produtos do mar, a pesca poderá vir a ter um novo dinamismo, aumentando o rendimento do sector e contribuindo, desta forma, para a melhoria das condições de vida das populações deste sector de actividade.

 

Turismo

Turismo

O turismo e as actividades conexas como a hotelaria e a restauração chegaram a ganhar uma certa expressão nas últimas décadas do século XX, mas a falta de investimentos e de modernização deixaram o Tarrafal na retaguarda da concorrência com a emergência de outras ilhas como o Sal e a Boa Vista.

Constitui, no entanto, uma área de grandes potencialidades pela qualidade das suas praias, diversidade de paisagens, recursos patrimoniais disponíveis além da abundante mão-de-obra juvenil. O turismo é a actividade económica prioritária, atendendo ao potencial do município.
 

Atractivos turísticos naturais

O concelho do Tarrafal no que tange aos recursos naturais apresenta uma grande diversidade de paisagens, da flora e da fauna da ilha de Santiago, destacando o Tarrafe (Tamarix senegaleses) da qual originou o nome da localidade pela abundância em tempos deste arbusto e algumas palmeiras, a passarinha (Halcyon leucocephala), a Tchota-de-Cana (Acrocephalus brevipennis) a Tchota-de-Coco (Passer hispaniolensis).


 

Parque Natural de serra Malagueta

A área total do PNSM abrange territórios de três concelhos da ilha de Santiago, São Miguel, Santa Catarina e Tarrafal. A este último cabe a menor parcela, 36 hectares, que representa 4,5%, correspondente apenas às zonas de Lagoa e Achada Lagoa. 

Segundo a equipa de ecoturismo do Parque Natural, tanto na área do parque como na zona de amortecimento existem condições e valores naturais e socioculturais que oferecem potencialidades notáveis para o desenvolvimento do ecoturismo, principalmente nas suas componentes de turismo de natureza, rural, cultural, aventura e científico. A promoção turística neste parque deve contemplar e acompanhar a conservação dos valores naturais, tradicionais e da cultura autóctone e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais. 

 

Monte Graciosa.

Localizado na parte norte do concelho, é a sua maior elevação e o terceiro maior pico da ilha de Santiago, com uma cota máxima de 645 metros.40.

É o único ponto no concelho que possui amostras da vegetação natural autóctone, tais como o tortolho, gestiba, alecrim bravo, agrião de rocha e o marmulano, por isso o PDM local propõe a sua integração na rede das áreas protegidas do país, na categoria de Parque Natural.

 

Monte Achada Grande

Este cone vulcânico de cor avermelhado, com uma superfície de 66,5 ha, localiza-se na Achada Grande e é uma referência paisagística municipal. 

Em termos geológicos é constituído por piroclásticos (jorra) e escórias da formação do Monte das Vacas, que lhe confere grande infiltração, fundamental para a alimentação dos aquíferos, representando uma das principais zonas de alta infiltração no município.

 

Monte Costa

Em forma de uma rampa eleva-se sobre a achada Costa, atingindo uma altitude de cerca de 300 metros e uma superfície de 153,4ha. Este cone piroclástico destaca-se na paisagem de forma notória pela sua beleza.

 

Cidade do Tarrafal

Principal polo administrativo do concelho, apresenta diversas singularidades potenciais para o desenvolvimento do turismo local, quer nos aspectos culturais, todo centro histórico como outros edifícios espalhados na cidade com valor histórico-cultural, como na vertente ambiental e paisagística, o monte Graciosa, as praias com coqueiros e diferentes endemismos da flora e fauna do país, e ainda ao nível das actividades de animação turística, como as discotecas, o cineteatro, bons restaurantes típicos, pequenos botequins animados com música local, o parque de manutenção física, entre outras.



 

Chão Bom

Representa o segundo polo populacional do concelho, a poucos quilómetros da cidade de Tarrafal, onde se destacam três atractivos principais: o Museu da Resistência de ordem cultural, o Colonato, a Baía e a Ribeira Grande de Chão Bom, de ordem natural


Ribeira da Prata

De carro a partir de Chão Bom leva-se menos de 15 minutos para se chegar a Ribeira das Pratas, mas também a caminhada ou o ciclismo são boas opções para ir ao local, porque não exige muito esforço e pode-se sempre contar com a brisa refrescante do mar, já que o caminho contorna o litoral. 

É uma localidade conhecida pelas suas praias de areia negra com coqueiros à beira-mar, como a Praia de Ribeira das Pratas, onde regularmente ocorrem desovas de tartarugas e pela sua paisagem, que se estende desde Curral de Salina, Achadinha e Cutelo Branco até Caldeira de Maria Sevilha (caldeira de um vulcão extinto, o maior exemplar de toda a ilha). O caminho impressiona muito quando se dá a volta por dentro da referida caldeira, que tem uma particularidade: a sua base fica abaixo do nível do mar.

As principais actividades económicas são a pesca, a agricultura e a criação do gado o que confere ao lugar potencialidades para o desenvolvimento do turismo em espaço rural, aproveitando as casas dos locais para alojar os visitantes, contribuindo especialmente para o aumento da renda das famílias residentes

Figueira Muita

De Ribeira das Pratas sobe-se para a localidade de Figueira Muita em estrada asfaltada, proporcionando excelentes panoramas sobre as três principais comunidades do concelho de Tarrafal - Ribeira das Pratas, Chão Bom e cidade do Tarrafal - bem como pelos seus vales majestosos, principalmente o que a separa de Achada Meio

 

Achada Meio

Trata-se de um pequeno povoado de difícil acesso, por uma estrada de terra batida, a partir de Figueira Muita ou ainda a partir de Serra da Malagueta. No entanto, a localidade compensa o visitante com uma vista panorâmica ímpar e abrange a maior parte do concelho. Embora com poucas das habituais atracões turísticas, Achada Meio tem uma beleza natural rara e um clima singular, excelente para os amantes da montanha. A população local vive da agricultura e da criação de gado

 

Curral Velho

Uma pequena localidade que fica num monte no sopé de Serra da Malagueta, faz fronteira com o concelho de Santa Catarina e é um dos maiores miradouros sobre o concelho do Tarrafal. Possui um clima fresco e tira benefício de sua posição serrana estratégica e proximidade da estrada principal que liga o concelho de Tarrafal a Santa Catarina e a outros pontos da ilha de Santiago.

 

Trás-os-Montes

Por outrora ter albergado a sede do governo local, é considerado o “Berço de Tarrafal “ e tem sido um ponto importante da olaria e da tecelagem tradicionais com produção de diversas peças de barro e do famoso pano di bitchu. 

A actual capela de S. José, que em 1909 funcionou como sede do Instituto de Formação das Alunas Internas e Externas, orientado pela congregação Irmãs dos Pobres, foi ainda a primeira Igreja Matriz de Santo Amaro Abade, padroeiro da freguesia.

 

Fazenda

Escondida atrás do monte mais alto do concelho, Graciosa, a população desta localidade, relativamente pequena, dedica-se à pesca, agricultura e criação de gado. Segundo os habitantes mais antigos da zona e os relatos das pessoas do concelho, em tempos, este foi um dos portos mais importantes de Santiago, onde se faziam desembarques de vários produtos para o abastecimento da ilha. Mais recentemente, tornou-se muito conhecida pela vala comum que foi encontrada com grande quantidade de ossos humanos, de causas desconhecidas. 

A baía da Fazenda atrai muitos amantes de mergulho, pela variedade de espécies que habitam essas águas.

 

Achada Moirão

É uma localidade que tem nas suas gentes, nas maravilhosas vistas panorâmicas que se desfruta até ao fundo dos vales e nalgumas aldeias desabitadas como Belém, Chão de Capela, Ribeirão Carrasco, Tamareira e Água de Garça, sem dúvida, o maior atractivo local.

 

Lagoa e Achada Lagoa

A comunidade de Lagoa é uma pequena aldeia, quase desabitada, constituída por graciosas casas típicas, concentradas no fundo da ribeira. Antes de chegar ao referido povoado, passas e no meio de culturas agrícolas e por baixo de altas escarpas, onde se pode avistar macacos, que nestes lugares de difícil acesso, encontram abrigo para se esconderem das pessoas. São também estas escarpas rochosas que hospedam várias e raras plantas endémicas de grande valor natural, muitas das quais utilizadas na medicina tradicional. 

Por um caminho suave e seguro chega-se a Lagoa, à medida que se aproxima das primeiras casas a ribeira parece engolir os seus visitantes dentro das suas altas e majestosas encostas basálticas. 

Daqui existe um outro caminho que segue até a comunidade de Achada Lagoa, constituída por algumas casas tradicionais dispersas e pode-se observar cenários interessantes sobre a ribeira de Lagoa e o monte Quinto lanço que é sem dúvida uma experiência inesquecível de passagem

 

Nascentes

No concelho existem algumas pequenas lagoas e nascentes, destacando-se as nascentes de Achada Lagoa, Lagoa, Mato Brasil e Pedra Empena que constituem uma verdadeira bênção para as suas gentes, bem como para o desenvolvimento da agricultura local e do turismo rural nas suas diferentes vertentes.

 

Ribeira de Fontão e Baía do Tarrafal

Esta é uma das mais importantes ribeiras do concelho. A montante existem dois fornos que comprovam, que durante muito tempo explorou-se os afloramentos de calcários para fabrico da cal. Ainda, a existência de calcários fossilíferos nesta área poderá despertar algum interesse no domínio de investigações e estudos. Tanto o complexo de escarpas basálticos semi-submerjas de Ponta d’Atum, como as praias de areia branca e as arribas monumentais de Ponta Preta conferem à Baía do Tarrafal uma beleza e complexidade única em todo o país.

Ribeira Grande de Chão Bom

A bacia hidrográfica da Ribeira Grande situa-se na fachada poente, estende-se desde o maciço de Serra Malagueta até á orla marítima de Chão Bom e cobre uma área de 23,44 km, atravessando as zonas húmidas, Sub-húmidas e áridas. Atinge altitudes acima dos 800 metros. É a segunda maior da ilha, logo a seguir à do Pico de Antónia. 

Na área desta bacia existem cerca de 35 infra-estruturas e equipamentos hídricos (diques de correcção torrencial, furos, nascentes e reservatórios). Em toda a sua extensão pratica-se a agricultura de sequeiro, sendo que, junto à desembocadura da ribeira, na zona de Colonato pratica-se a agricultura de regadio. Em termos de potencial hídrico, esta bacia é a mais importante do município, porque entre outras razões, nasce numa das principais redes de drenagem da ilha de Santiago, Serra Malagueta. Existem ainda outras ribeiras como a Ribeira de Lebrão, de Fundão, de Cuba, Ribeirão Sal, Ribeira da Fazenda, etc.

 

Praia de Ponta D’Atum

Do lado oeste da baía do Tarrafal fica a praia de Ponta de Atum, famosa pelas magníficas ondas para a prática do Surf e Body Board e onde tem lugar uma etapa do campeonato nacional destas duas modalidades de desportos náuticos.

 

Praia de Ribeira das Pratas

Na última curva da estrada que liga Chão Bom a Ribeira das Pratas, a praia de areia negra revela-se por inteiro, convidativa. Nos períodos certos pode-se observar a desova de tartarugas marinhas que pode ser aproveitada para fins turísticos e protecção desses animais e da própria praia.

 

Praia de Fazenda

Praia de difícil acesso, mas vista pelos decisores locais como um dos atractivos turísticos com fortes potencialidades no concelho e por isso, está-se a traçar medidas necessárias para a sua inclusão no roteiro turístico do destino Tarrafal.

 

Cratera Vulcânica Maria Sibidja (Sevilha)

A caldeira de Maria Sibidja (Sevilha) localiza-se na zona da Ribeira das Pratas é uma das formas vulcânicas mais bem conservadas da ilha de Santiago, com uma superfície de 17,6 ha. Além de ser uma área detentora de valores geológicos e geomorfológicos constitui-se também como um habitat de espécies animais e vegetais de grande importância

Pedra Empena

Através de um tortuoso caminho de pedras, mesmo ao pé do majestoso Monte Graciosa, digna-se encontrar um espectáculo merecedor dos maiores elogios e de visitas, “Pedra M’Pena”, um aglomerado de grandes pedras, dispostas em forma de mosaicos, formando um todo de difícil discrição. 

No sopé da pedra maior, a “Pedra M’pena”, disfarçada por pedras mais pequenas, esconde-se a fonte de vida local: uma nascente de água cristalina, natural, que a população local consome

 

Atractivos turísticos culturais

Cemitério de Tchada Baxu

Parece bizarro, mas o Cemitério do Tarrafal – em Tchada Baxu (Achada Baixo) – deve figurar no roteiro turístico, já que está intimamente ligado ao ex-Campo de Concentração, onde estiveram presos antifascistas de Portugal, Alemanha, Espanha, Polónia, e das ex-colónias portuguesas. No cemitério, podem ver-se campas de 37 antifascistas portugueses, incluindo a do fundador e líder do Partido Comunista Português, Bento Gonçalves, cujos restos mortais foram transladados para Portugal, nos finais da década de 80 – do século passado.

 

Praça Municipal

Este espaço público localizado no centro histórico da cidade é caracterizado pela sua beleza cénica e colorida e circundado por um conjunto de edifícios históricos mais antigos do concelho, apresentados a seguir, todos construídos nos anos 30.

Encontra-se em bom estado de conservação e, principalmente no verão, realizam-se inúmeras actividades de animação, tais como rádio praça, declamações de poesias e pequenos concursos musicais.

Por esses motivos pode ser transformado num ponto de encontro agradável entre visitantes e população local agrupado a outras como a Praça México e Praça Custódio.

 

Paço do Concelho

Também erigido em 1935, foi alvo de intervenção com obras de remodelação em 2004 preservando-se em parte a sua arquitectura original. É o edifício que alberga o poder administrativo a nível local e se encontra em bom estado de conservação.

 

Museu da resistência (Ex. Campo de Concentração)

Criado em 1936, pelo Decreto – Lei 26:539 de 23 de Abril, como colónia penal para presos políticos e sociais, funcionava verdadeiramente como um campo de concentração que enclausurava todos que se opunham à ditadura salazarista e deixá-los morrer à míngua, sem as mínimas condições higiénicas e expostos ao sol e ao paludismo.

Edificado na zona de Chão Bom, ao fim de uma primeira fase, 1936 a 1954 – onde recebeu somente presos portugueses, que ultrapassaram uma centena – passou a receber nacionalistas das colónias portuguesas. Nos seus 38 anos de funcionamento, em que serviu igualmente como prisão para presos de delito comum, além de indivíduos de outras nacionalidades europeias passaram pelo “campo da morte lenta”, como também ficou conhecido devido às condições precárias de enclausuramento e o aumento de penas, 340 portugueses e 230 africanos, entre os quais 20 cabo-verdianos.

Fora do recinto prisional existia uma câmara de tortura denominada - Frigideira ou Segredo, descrita como um cubículo de cimento, asfixiante, de exígua dimensão, com uma porta de ferro, desprovida de qualquer mobiliário a não ser dois baldes, um para a água e outro para as necessidades, onde os presos eram colocados a pão e água durante dias e á mercê dos mosquitos, pelo que os que de lá saiam iam directamente para a enfermaria, senão para o cemitério. O “campo da morte lenta” foi oficialmente encerrado a 1 de maio de 1974, com a revolução dos Cravos em Portugal e após 1975 passou a funcionar como quartel e centro de formação militar.

Museu da Resistência desde o ano 2000, o complexo prisional de Tarrafal pelo seu valor histórico-patrimonial, mormente pelo valor sentimental e carga simbólica enquanto símbolo de resistência ao fascismo e ao colonialismo, foi reconhecido como património histórico nacional em 2006 e almeja atingir a categoria de Património Mundial da Humanidade. Pode ser visitada todos os dias, das 08h às 18h, mediante a compra de um bilhete.



 

Escola Central

Localizado na praça municipal, foi erigido em 1935. Destaca-se pela sua traça colonial e por ter sido a primeira escola do concelho. Arquitectura de estilo colonial, encontra-se em mau estado de conservação, necessitando de algumas intervenções.

 

Mercado Municipal da cultura

Circunvizinho à praça municipal, foi construído em 1935 e recentemente remodelado mas manteve-se a traça original da sua fachada principal. 

O antigo mercado municipal é actualmente palco de várias actividades culturais e recreativas, tomando a designação de Mercado Municipal da Cultura e transferindo as actividades do primeiro mercado para o novo edifício construído na entrada da cidade do Tarrafal. O imóvel em questão tem um profundo valor histórico-patrimonial para a população do concelho e encontra-se em bom estado de conservação.

       

 

O Concelho do Tarrafal é um concelho/município na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Tem cerca de 20.000 habitantes e ocupa uma superfície de 112,4 km².

Entre em contacto connosco para mais informações.

 
 
Ambiente

Ambiente

No município, a silvicultura tem desempenhado um papel preponderante no combate contra a desertificação, na reconstrução do coberto vegetal, na satisfação das necessidades energéticas e no desenvolvimento da produção agro-silvo-pastoril.

Por esta razão, a Delegação do Ministério do Ambiente e Agricultura tem dado uma atenção particular a este sector. As florestas do concelho são constituídas por espécies que melhor se adaptam às zonas áridas, isto é, acácia americana (prosopis juliflora). Estão localizadas nas zonas áridas e semiáridas das grandes achadas, algumas encostas declivosas e vales. Se, por um lado, essas florestas resolveram o problema de energia doméstica, a lenha, por outro lado, em certas zonas, como por exemplo, no fundo dos vales e nas redondezas dos perímetros irrigados, elas são muito contestadas, sobretudo por agricultores.

As áreas protegidas poderão ser de interesse nacional, regional ou local, consoante os interesses que procuram salvaguardar. A Área Protegida do Parque Natural da Serra da Malagueta tem uma pequena percentagem (4,5%) dentro do limite do concelho. Outros sítios porém, dado ao seu valor ambiental já foram propostos a monumentos naturais e/ou paisagens protegidas.

 

São eles:

  • Monumento Natural Monte Graciosa;

  • Monumento Natural Monte Achada Grande;

  • Monumento Natural Monte Covado;

Cultura
Cultura

Atractivos culturais materiais
 
Alfândega Velha
Localizada a escassos metros do cais de pesca da baía do Tarrafal, na parte traseira proporciona uma rica e majestosa vista sobre a praia de Mangue, a Ribeira do Fontão e o monte Graciosa. 
 
Foi construída em 1941 e desempenhou um papel importante até aos anos 70. É um edifício singular pela sua arquitectura tipicamente colonial e caracteriza-se pelo volume prismático recto, de planta rectangular e telhados inclinados de quatro águas (telhados de tesoura). Encontra-se em mau estado de conservação, mas pode e deve ser-lhe atribuído algum uso, pois encontra-se num ponto estratégico da cidade e possui uma grandiosa estrutura.
 
 
Matadouro ao lado da Praia do Presidente
Construído em 1940, fica a escassos metros da “Praia do Presidente”. Nunca funcionou e encontra-se em estado de degradação. Segundo o PDM local, a sua requalificação, mantendo a traça original passará pela mudança de uso, ligado a recreio e lazer junto a faixa litoral.
 
 
Fontenário ao lado da casa Narina e Fontenário para o espaço verde
Localizados no centro da cidade, foram dos primeiros fontanários do concelho, construídos em 1961. Encontram-se degradados e podem ser dos principais motivos para a reabilitação dos largos onde se situam.
 
 
Faróis de Ponta Preta e Ponta Moreira
Edifícios que servem a navegação marítima, encerram um alto valor cénico pela sua arquitectura e imponência na paisagem, mas necessitam de intervenções e obras de recuperação, pois encontram-se em mau estado de conservação.
 
 
Silo do Colonato
Edificado em 1960, fia na zona de Colonato de Chão Bom. Desempenhou um papel fundamental, sobretudo nos períodos de grandes secas, pois, foi e continua ser o único espaço de conserva de pastos no município do Tarrafal. Encontra-se devoluto e em mau estado de conservação.
 
 
Trapiche
Engenho destinado a esmagar a cana-de-açúcar, mais frequente no meio rural e tradicionalmente movida a tração animal, geralmente bois, ao som de cantigas de canga boi para incitar o animal. 
 
Actualmente é mais usada a força de motores, tendo sido também utilizado a força escrava. A cana é moída e o seu suco, vulgarmente conhecido por calda, recolhido num recipiente para futuro tratamento. 
 
Deste produto produz-se o “grogue” - bebida alcoólica tradicional do país - através da destilação num alambique, bem como alguns derivados do grogue e o mel. No concelho existe um trapiche motorizado e três alambiques, todos no Colonato de Chão Bom, onde produzem um grogue de cana sacarina de boa qualidade.
 
 
Capela da Ribeira das Pratas
Construída na década de 40, fia localizada na zona de Ribeira das Pratas. Desempenha um papel importante no contexto religioso enquanto lugar de culto e, a 18 de Dezembro celebra-se a festa de Nossa Senhora de Boa Esperança. Encontra-se em bom estado de conservação.


Centro de Artesanato de Trás-os-Montes
Destaca-se pela preservação e produção da olaria tradicional do concelho do Tarrafal. Da terra extrai-se o barro e, pelas mãos das oleiras, nasce a obra de arte. Pode-se encontrar bonitos utensílios decorativos e de utilidade doméstica ali produzidos e comprar souvenirs originais.
   
 
Capela da Ribeira das Pratas
Construída na década de 40, fia localizada na zona de Ribeira das Pratas. Desempenha um papel importante no contexto religioso enquanto lugar de culto e, a 18 de Dezembro celebra-se a festa de Nossa Senhora de Boa Esperança. Encontra-se em bom estado de conservação. CONCELHO DO TARRAFAL – INVENTÁRIO DOS RECURSOS TURÍSTICOS e uma placa que relata a história da capela, com sua descrição arquitectónica.
 
 
Casa Nha Bibinha Cabral
Rainha do finaçon e do batuque, Nha ou Mana Bibinha é uma das mais lendárias figuras do concelho. A pequena casa onde viveu pode ser visitada em Monte Iria, nos arredores da Vila de Mangue. Serve, presentemente, de residência a uma de suas sobrinhas. Antes de descer para Monte Iria, Mana Bibinha vivera no fértil Curral de Baixo, hoje um vale desértico. Nha Bibinha faleceu a 14 de Junho de 1985, no Hospital Dr. Agostinho Neto na cidade da Praia.
 
 
Atractivos Culturais imateriais
 
Festa “Nhu Santo Amaro” e Dia do Município
Celebrada a 15 de Janeiro na Igreja Matriz do concelho, a festa de “Nhu Santo Amaro” atrai muitas pessoas oriundas de outras paragens do país bem como do mundo fora. Sendo a festa de maior destaque, coincide com as celebrações do dia do município onde acontece o Festival de Santo Amaro, que é um espaço de promoção da cultura e dos grupos e artistas locais, preferencialmente.
 
 
Todos os anos é uma grande festa de agradecimento da população da cidade, pela protecção que o padroeiro exerce sobre todo o município e os devotos. Logo no primeiro dia do ano começam os preparativos para aquela que é a maior festa do município, embelezando as ruas com bandeiras e animando a praça do município com batuque e funaná. Ainda tem lugar diversas provas, tais como corridas de bote, tanto a remo como a motor; corridas de sacos, natação, partidas de futebol, andebol, e alguns jogos tradicionais como o oril, carta, damas, entre outras actividades de animação. A gastronomia e o artesanato são os pratos fortes da festa. 
 
No dia da festa esta celebração divide-se em duas partes, sendo a primeira de cunho sagrado, começando a cerimonia com a saída dos Santos da Igreja, seguida da procissão até ao largo atras da residência paroquial e do Presidente da Camara, onde se celebra a Santa Missa, e a segunda de cunho profano, em que a população festeja em suas casas com amigos e convidados, onde a gastronomia, a música e outros aspectos da cultura local tomam parte dos festejos.
 
 
Rabelados de Tarrafal
No concelho existe várias comunidades de Rabelados nas localidades de Lagoa-Gémea, Lapa Catchor (Cachorro), Bimbirim em Achada Biscainhos e Bicuda.
 
 
Festival de batuque
Um festival sob a organização da Associação Delta Cultura é anualmente realizado na Cidade do Tarrafal, no primeiro fim-de-semana do mês de Dezembro e o mesmo está enquadrado no programa das actividades da Festa do Santo Amaro e do Município deste concelho. São convidados dezenas de grupos de batuque de toda a ilha de Santiago a participarem e darem o seu contributo para a promoção desta tradição santiaguense, que é o objectivo principal deste evento. Para maior promoção e divulgação do evento o grupo responsável criou um blog na internet.
 
 
Tabanca
Geralmente sai às ruas nos meses de maio e junho, pela festa de Santa Cruz. É festejada nas localidades de Ponta Achada, Portal, Mato Mendes, Achada Longueira, Chão Bom, Cidade do Tarrafal e Curral Velho. No concelho deixou de existir, sem razões aparentes, por um certo período antes da independência, mas após 1976, na localidade de Chão Bom reorganizaram um grupo local que desfila às vezes nos meses já referidos.
 
 
Lenda da Noiva Branca
A praia de Mangue, o Campo de Concentração e o Monte Graciosa são as três grandes referências de Tarrafal. Contudo, é com Graciosa que os tarrafalenses têm uma relação mais afectiva. 
 
A ponto de o imaginário colectivo lhe devotar histórias e lendas, entre as quais a da Noiva Branca. “Reza a lenda que uma noiva tarrafalense, abandonada no altar, sucumbiu ao desespero e à humilhação perante uma vila inteira. Ferida no orgulho, subiu ao Monte Graciosa, atirou-se ao mar, morrendo afogada. Ainda hoje, quando o luar se espelha no mar, cria-se uma espécie de áurea naquele Monte, levando com que as pessoas acreditem que é o brilho do espírito da desafortunada Noiva Branca, que há-de vir para alegria, gozo e satisfação dos tarrafalenses”.
 
 
Outras Festas do Concelho
 
Festas de Santos e Padroeiros
N. Srª De Lurdes 11 de Fevereiro Achada do Meio e Figueira Muita, São José 19 de Março Trás-os-Montes, Ponta Furna e Fazenda A igreja de Trás-os-Montes foi a primeira a ser construída no concelho. Santa Catarina 1 de Maio Curral Velho e Pedra Comprida
Nossa Senhora De Fátima 13 de Maio Guindão, Achada Longueira e Milho Branco A capela da localidade de Guindão foi construída entre 1958 e 1960.
 
Santa Rita 22 de maio Biscainhos e Achada Biscai-nhos, Santo António 13 de Junho Achada Moirão Recebeu a imagem do seu padroeiro em 1976 e é a mais recente festa criada no concelho. São João 24 de Junho Lagoa e Achada Lagoa.
 
Sagrado Coração De Jesus Numa sexta-feira de Junho Concelho, Santo Agostinho 22 de agosto Achada Tenda e N. Srª De Boa Esperança 18 de Dezembro Ribeira das Pratas Capela local construída na década de 40.
 
 
Rabelados de Tarrafal
No concelho existe várias comunidades de Rabelados nas localidades de Lagoa-Gémea, Lapa Catchor (Cachorro), Bimbirim em Achada Biscainhos e Bicuda.
Género

Género

Na ilha de Santiago, geralmente a tarefa de construção da habitação compete ao homem que, segundo a tradição, mantém a gestão e o controlo dos principais recursos da família, como terra, gado, habitação, equipamentos.

A emigração para a Europa a partir da década de setenta do século XX, deixou muitas famílias sob a gestão directa das mulheres que ficaram, sobretudo no meio rural, e que efectivamente constituem os chefes directos das famílias. Pese embora que os maridos no estrangeiro enviam recursos financeiros para o sustento e especialmente para a melhoria das habitações, construção de casas novas, nos centros urbanos.

Mesmo neste quadro, a mulher que fica no país é a gestora da construção, e das actividades geradoras de rendimento criadas nas localidades, com recursos vindos da diáspora.

As mulheres chefes de família sem maridos no exterior são as mais vulneráveis, pela dificuldade de acesso à residência própria e resultante da complexidade na obtenção de terreno e pelo elevado custo de materiais de construção. O acesso bancário para a autoconstrução é mais difícil às mulheres porque representam a maior parcela de desempregados no mundo rural.

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