Barlavento São Vicente

São Vicente é a segunda ilha mais populosa de Cabo Verde, localizada no grupo do Barlavento, a noroeste do arquipélago.
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O Município
Situação socioeconómica
Atividades económicas
Turismo
Ambiente
Cultura
Género
Órgãos Eleitos
Órgãos Eleitos
 
Constituição da Camara Municipal
Augusto César Lima Neves
António Delgado Monteiro
Albertino Lopes da Graça
Silmara Sueli Sousa
Neusa Isabel de Pina Araújo Sança
Rodrigo Regalla Rendall Leite de Oliveira Martins
Anilton Rodrigues Ferreira Andrade
Celeste Dias Sousa da Paz
José Carlos da Luz
 
Constituição da Assembleia Municipal
Dora Oriana Gomes Pires - UCID
Lídia Cristina da Cruz Brito Lima de Melo - MPD
Leila Lima Barros de Pina - PAICV
Giliardo Jorge Lopes Nascimento - MPD
Jose Humberto Pinto da Fonseca - UCID
Flávio Emiter Rodrigues Lima - MPD
Zuleica Soraia J. da Cruz - UCID
jean Emmanuel da Cruz - PAICV
Ana Filomena Soares da Cruz - MPD
Albertino Neves Gonçalves - MIMS
Orisa Morais Sequeira - UCID
António Pedro dos Santos Rodrigues - MPD
Odair Delgado Cruz - PAICV
Adrian Durán Lopes - UCID
Elizabete Fonseca Santos Delgado - MPD
Silvina Neves Teixeira - UCID
Domingos da Ressureição Lima - MPD
Dirce Lena Silva Vera-Cruz - PAICV
Miguel João Duarte - MPD
Júlio Santos Fortes - UCID
Ana Paula Figueiredo Soares Cardoso - MPD
Contactos
Contactos

 

Endereço: Praça Pidjiguiti, Mindelo

 

Telefone: (+238) 325 210

                  (+238) 333 32 71

 

Fax:           (+238) 231 68 33

O Município

Contexto histórico do Município

A Ilha de São Vicente foi descoberta a 22 de Janeiro de 1462 pelo navegador português Diogo Afonso, e esteve praticamente desabitada durante mais de 300 anos, servindo apenas para nela se criar gado. Podia-se contar mais de doze milhares de cabeças, que sobreviviam espalhadas pelos campos do que é hoje o Madeiral, a Ribeira de Calhau, Palha Carga, Mato Inglês, Ribeira de Julião e outros sítios do interior. Nesses recuados tempos, embora já houvesse estiagens, chovia com maior regularidade, havendo pasto em quantidade suficiente.

Em 1795 João Carlos da Fonseca Rosado (um rico comerciante do Fogo) empreende a primeira tentativa organizada de povoamento da ilha de São Vicente. Porém, essa experiência fracassou redondamente.

No ano de 1812, houve uma nova tentativa de povoamento implementada pelo Governador António Pusich. Paulatinamente, a população foi aumentando. Em 1819, a população da ilha rondava os 115 habitantes. Um ano depois, já contava com 295 almas. O povoado inicial, que recebera o nome de Dom Rodrigo, progride. Já em 1820, passa a ter o nome de Vila Leopoldina.

Anos depois, em 1838, troca-se-lhe o nome para Mindelo. No ano de 1848, a sua população é já de 553 indivíduos. E finalmente, com o aparecimento do primeiro depósito de carvão, a Povoação do Mindelo entra na senda do progresso e da fortuna, para se impor, de direito, como o aglomerado mais importante do arquipélago. A partir daí, surgem, em catadupa, companhias inglesas que fornecem carvão às centenas e centenas de barcos que frequentam o Porto Grande, e fazem dele um dos portos mais movimentados do mundo nessa altura.

Devido ao seu excelente Porto, a Ilha de São Vicente era considerada a porta do arquipélago e durante muito tempo a economia das ilhas dependeu desse porto. Com a instalação de depósitos de carvão vários barcos estrangeiros começaram a visitar a ilha para se abastecerem de carvão.

O comércio foi-se desenvolvendo, pois havia necessidade de abastecer esses navios, o que levava os comerciantes a ir buscar produtos alimentícios nas outras ilhas, onde vendiam os produtos estrangeiros que adquiriam nesses barcos. As grandes casas comerciais começaram a surgir, a população aumenta com pessoas vindas de outras ilhas atraídas pela intensa actividade comercial e pela possibilidade de um emprego. Surgem novas profissões como hoteleiros, cozinheiros, engomadeiras, costureiros, polícias etc.

Mas o Porto de São Vicente sofria grande concorrência dos portos de Dakar e de Las Palmas nas Ilhas Canárias, o que levou ao declínio do Porto Grande, com influências negativas para a economia mindelense. Nessa altura existiam algumas indústrias como fábrica de sabão e óleos vegetais, uma fábrica de panificação, entre outras.

 

Localização geográfica

São Vicente situa-se a Norte do arquipélago de Cabo Verde, entre as ilhas de Santo Antão e de São Nicolau, integrando o grupo do Barlavento. Está situada entre os paralelos 16º 55´19´´ e 16º 46´21´´ a Norte do Equador, e entre os meridianos 24º 51´58´´ e 25º 0,5´40´´ a Oeste de Greenwich. Possui um comprimento máximo de 24.250 metros na direcção Leste - Oeste entre a ponta Viana, a Leste, e a ponta Machado, a Oeste, e uma largura máxima de 16.250 metros, entre a ponta João de Évora, a Norte, e a ponta Sul, a Sul. A sua capital, a cidade do Mindelo, ocupa aproximadamente uma superfície de 75 Km2.

A ilha de São Vicente estende-se por um território de 227 Km2, com uma única Freguesia (Nossa Senhora da Luz). São Vicente é residência de 76.140 habitantes, o que perfaz uma densidade populacional de 335,42 Hab/Km2. Isso torna a ilha num dos espaços territoriais mais densamente povoados do país, e das poucas experiências de vivência efectivamente urbana que conhece Cabo Verde.

População

Dados do Censo 2010 mostram que a população residente na Ilha de São Vicente é de 76.107 indivíduos sendo 38.347 (50,4%) homens e 37.760 (49,68%) mulheres distribuídos em 20.980 agregados familiares. Destes, 62% são chefiados por homens, e 38% por mulheres. A média de indivíduos por agregado familiar é de 3,6. 

Cerca de 93% da população da Ilha vive no meio urbano. A população é maioritariamente jovem, com 65,7% de indivíduos com menos de 30 anos, ligeiramente inferior à média nacional que é de 68,4%. A população idosa, com mais de 60 anos, é igual à média nacional de 8,6%.

A cidade de Mindelo corresponde estatisticamente à zona do mesmo nome e é dividida em, pelo menos, 31 lugares. Dos 19.962 agregados familiares existentes na Ilha de São Vicente, 92,6% se concentram na cidade do Mindelo, ou seja, cerca de 18.485 agregados familiares. Cada agregado familiar integra uma média 3,8 indivíduos. De mencionar que cerca de 8.891 (i.e. 48,1%) desses agregados é dirigido por mulheres chefes de família, sendo que 80,3% de todas as habitações serve de residência habitual dos respectivos proprietários.

Em 1929 inaugurou-se a produção de energia eléctrica numa central eléctrica privada, propriedade dos senhores Leça, cabo-verdiano e de Pedrinho Bonucci um italiano. Desde a independência do País em 1975, tem-se investido muito na economia da ilha, criando-se empresas e fábricas nos mais diferentes domínios. O Porto Grande está sendo ampliado e o Aeródromo de São Pedro foi transformado no Aeroporto Internacional Cesária Évora. As instalações da Electra, que fornecem água e energia eléctrica, aumentaram a sua capacidade e as telecomunicações sofreram grandes progressos.

Situação socioeconómica
Situação socioeconómica
Habitação
O Censo 2010 apurou a existência de 19.047 edifícios em São Vicente, que servem de alojamento a 19.062 agregados familiares e demais unidades económicas da ilha. Do total de edifícios da ilha, apenas 59,6% estão concluídos.
 
Dos 112.535 edifícios clássicos existentes no país, 18.055 (16,04%) foram edificados em São Vicente, dos quais 90,3% é afecto exclusivamente à habitação; e 8,7% tem a maior parte afecta à habitação, sendo a outra parte eventualmente dedicada ao comércio ou pequenas oficinas de artes e ofícios. Apenas 1.0% de edifícios da ilha é afecta a outros fins, nomeadamente económico-empresariais.
 
Segundo o QUIBB 2007, 12,3% de habitações tem uma única divisão, o que é superior à média nacional de 9,2%. As habitações com 2 divisões representam 23,0%, também superior à média nacional de 18,6%. As com 3 divisões representam 27,0%, as com 4 representam 23,9% e as com 5 divisões representam 9,8%. As habitações com 6 ou mais divisões representam 8,2%, sendo inferior à média nacional de 11,6%.
 
 
Agua
O serviço de abastecimento de água é assegurado pela ELECTRA, cuja rede pública cobre apenas 56,9% dos agregados familiares da ilha. Apenas 51,0% de agregados familiares tem acesso a contentores para a recolha do lixo, o que, para uma ilha essencialmente urbana, dá ideia do trabalho que ainda resta fazer neste domínio fundamental para uma cidade saudável, com qualidade de vida e onde se deve viver melhor, em cada dia que passa.
 
 
Saneamento
O Censo 2010 revela que 74,1% de agregados familiares da ilha utiliza a rede de esgoto (cerca de 60%) e a fossa séptica (cerca de 14,1%) para a evacuação de águas sujas. A rede principal de esgotos apresenta uma extensão de 2.7 Km de tubagem em amianto/cimento, 76 km em PVC e 47 km em manilhas de betão.
 
Entretanto, 13,1% de agregados familiares ainda deita água suja ao redor da casa, e 20,9% de alojamentos ainda não dispõe de sanita nem latrina. Apenas 58,0% de alojamentos tem instalações de banho ou duche (banheiras e chuveiro).

 
Saude
Em termos de infra-estruturas sanitárias, a ilha de São Vicente possui um Hospital Central (Hospital Dr. Baptista de Sousa), 1 Delegacia de Saúde, 5 Centros de Saúde, 1 Centro de Saúde Reprodutiva, 1 Centro de Terapia Ocupacional, e 3 Unidades Sanitárias de Base. As localidades beneficiadas são: Sede da Delegacia de Saúde no Centro Histórico, Monte Sossego, Fonte Inês, Chã de Alecrim, Ribeirinha, Ribeira Craquinha. 
 
O Centro de Saúde Reprodutiva fica na Bela Vista. Salamansa, São Pedro e Calhau têm Unidades Sanitárias de Base. Os lugares e localidades sem estruturas de saúde recebem visitas mensais de equipas médicas e de Saúde Reprodutiva. 
 
O sistema de saúde da ilha tem beneficiado de grandes progressos nas últimas duas décadas, graças não só aos investimentos do Governo Central, mas também como resultado das relações de cooperação com alguns Municípios e instituições estrangeiras (Câmara Municipal de Oeiras em Portugal, Fundação Calouste Gulbenkian). Graças a essa cooperação, nos últimos anos o Hospital Baptista de Sousa, de São Vicente, passou a dispor de um serviço completo de cardiologia e de uma unidade de cuidados intensivos, ambos modernamente equipados.
 
 
Educação
A iliteracia é ainda elevada em São Vicente. De cada 100 indivíduos de idade igual ou superior a quinze anos, 19 não sabem ler nem escrever (contra 25,2% a nível nacional).
O analfabetismo afecta mais as mulheres (24,9%) do que os homens (12,7%). A maioria da população (59,6%) tem como nível de instrução, o nível básico integrado ou a alfabetização
 
A educação em São Vicente abarca todos os níveis de ensino disponíveis no país, desde o Pré-Escolar ao Ensino Superior, passando pela Alfabetização e a Educação de Adultos. Segundo estatísticas recentes, São Vicente tinha uma população estudantil de 21.919 estudantes de todos os níveis de ensino, no ano lectivo 2009/10, nos seguintes serviços urbanos de educação e ensino superior:
 
 - Ensino Pré-Escolar: A rede de Jardins Infantis, com 3.159 crianças, incluía 138 Profissionais de Infância, que leccionavam em 96 salas dos 29 Jardins existentes na Ilha.
 - Ensino Secundário (7º ano ao 12º ano): 7.172 alunos, matriculados em 5 estabelecimentos de ensino, nomeadamente, Liceu Ludgero Lima (1.387), Escola Secundária José Augusto Pinto (1.922), Escola Secundária Jorge Barbosa (2.000), Escola Secundária Salesiana (881); Escola Comercial e Industrial do Mindelo (via geral 638 e via técnica 334 - Imagem 86100). Um total de 428 Professores do Ensino Secundário assegurava esse nível de ensino na ilha. 
 - Ensino Médio: 220 Estudantes matriculados na Escola de Formação de Professores do Ensino Básico do Mindelo.
Ensino Básico (1.º ano ao 6.º ano): 9-080 alunos distribuídos por 208 salas de aula e com um efectivo de 346 docentes
 - Ensino Superior: 2.070 alunos do Ensino Superior matriculados em 6 estabelecimentos, nomeadamente a Universidade de Cabo Verde (UniCV), Universidade Jean Piaget (UniPIAGET), Universidade do Mindelo (UM, ex-IESIG), Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE), Mindelo Escola Internacional de Arte (M_EIA) e a Universidade Lusófona. 
 - O sector privado tem demonstrado uma grande dinâmica na área da educação, inclusive as instituições religiosas que ministram ensino nos níveis pré-escolar, ensino básico e ensino superior. 
 - A expansão do ensino superior, verificada nos últimos anos, com a criação de novas instituições, constitui uma valorização do sector da educação, proporcionada pelas oportunidades geradas pelo desenvolvimento da ilha e do país
 
 
Pobreza
Trabalhavam em São Vicente, na altura do Censo 2000, cerca de 21.087 pessoas, sendo 57% homens e 43% mulheres. Já o Censo 2010, com base numa nova metodologia, apurou uma taxa de desemprego 14,8%, de uma população com taxa de actividade económica de 58,2%. Essa taxa de desemprego é a mais elevada do país. 
 
O desemprego afecta mais as mulheres activas do que os homens activos. Ainda segundo o Censo 2000, mais de um quarto dos indivíduos que trabalhavam na altura (26,7%) exerce profissões sem qualquer qualificação, sendo de sublinhar a de empregadas domésticas e serventes no sector privado (47,7%). 
 
A massa trabalhadora de São Vicente concentra-se principalmente na actividade de comércio (21,2% contra 17% a nível nacional) e na indústria transformadora (17,4% contra 7% a nível nacional, Censo 2010). Esta percentagem é explicada pela presença das principais fábricas industriais do país estarem localizadas em São Vicente.
Atividades económicas

Atividades económicas

As actividades económicas mais importantes e dominantes na ilha são o comércio, a pesca, a pecuária, a indústria, a hotelaria e restauração. A seguir à ilha de Santiago, S. Vicente apresenta um maior número de empresas activas, com maior volume de negócios e consequentemente a segunda maior contribuição no Produto Interno Bruto nacional.

Assim, para além da produção local, o abastecimento da ilha é feito de produtos importados do estrangeiro e de outras ilhas, principalmente de Santo Antão, S. Nicolau, Santiago e Fogo.
 

Agricultura

A agricultura praticada localmente é bastante escassa para as necessidades da população e reduz-se essencialmente à produção hortícola e a cultura de milho, esta praticada na época das chuvas e na grande maioria das vezes sem qualquer resultado.

 

Pecuária 

Quanto à criação de gado, pratica-se a bovinicultura (quase inexpressivo), caprino cultura, suinicultura e a avicultura, sendo esta última com maior expressão na economia de S. Vicente, quer em termos de exploração familiar, como a industrial, que responde de forma satisfatória às necessidades de consumo da ilha e de outras, nomeadamente Santo Antão e São Nicolau.

Convém referir que nos últimos anos, fruto de investimento privado nacional, a ilha de São Vicente abastece todo o arquipélago em ovos, principalmente o mercado dos hotéis nas Ilhas do Sal e da Boavista.

 

Industria 

O município tem o sector industrial mais desenvolvido em Cabo Verde. São fabricados localmente vários produtos industriais, nomeadamente a panificação, bolachas, massas alimentícias, refrigerantes, moagem de cereais e café, sabão, indústria hoteleira, indústria metalúrgica, construção naval, construção civil, etc.

A ilha de São Vicente é sede de muitas empresas com peso estruturante na economia de todo o país (e.g. ENAPOR, ENACOL, VIVO ENERGY,CABNAVE, ELECTRA, MOAVE) que, para além de garantir emprego permanente a muitos sãovicentinos, contribuem, de forma significativa, para o PIB de Cabo Verde.

 

Comercio

Desde sempre a economia de São Vicente gira à volta da actividade comercial, graças ao excelente porto natural que possui, servido por um cais acostável. Ainda, no contexto socioeconómico é de realçar a importância das remessas enviadas pelos emigrantes na formação do rendimento das famílias. Para além da produção local, o abastecimento da ilha é feito de produtos importados do estrangeiro e de outras ilhas, principalmente de Santo Antão, São Nicolau, Santiago e Fogo.

 

Pesca 

A Pesca é uma das actividades mais importantes do município, quer em termos de contribuição para o Produto Interno Bruto, quer em termos de geração de empregos. 

No que concerne à pesca artesanal, os dados estatísticos oficiais apontam para uma captura média anual equivalente a 1200 toneladas e uma produtividade média por pescador de cerca de 1,9 t, nos últimos cinco anos. 

A pesca tanto artesanal como industrial tem um papel importante na economia da ilha através do abastecimento para o consumo e como sector empregador.

Turismo

Turismo

A Hotelaria e o Turismo começam a dar sinais de que poderão ser, num prazo bastante curto, actividades económicas potenciadoras de grandes rendimentos.


Atractivos turísticos naturais

Apesar da sua exiguidade territorial, a Ilha de São Vicente possui no seu interior montanhas e trajectos que poderão constituir importantes recursos turísticos naturais, nomeadamente o Monte Verde, ponto mais alto da ilha, que é zona protegida e ainda os vales de Mato Inglês, Baleia e outros que proporcionam excelentes vistas e percursos para caminhadas e trekking.

 

Baía do Porto Grande

A Baía do Porto Grande, que foi eleita para o Clube das 21 Baías mais bonitas do Mundo, com o seu porto natural, constitui igualmente um atractivo turístico importante. Um grande ícone da Baía do Porto Grande é o seu Monte Cara, famoso por lembrar uma face humana que domina toda a baía e é visível em todos os pontos da Cidade do Mindelo, parecendo um guardião da mesma.

Tratando-se de uma ilha caracterizada por uma grande diversidade paisagística, com uma linha de costa bastante recortada e uma orografia muito diversificada, a paisagem deve ser assumida e gerida como um recurso ambiental natural. Esta diversidade paisagística resulta de fenómenos e processos naturais que estão na base da origem e evolução das ilhas (vulcanismo, erosão, sedimentação) e daqueles que moldaram as condições de clima prevalecentes e que permitiram a instalação da vida humana (sol, vento, chuvas, vegetação). 

A combinação desses factores resultou muitas vezes em particularidades geográficas e climáticas que estão na origem de microclimas (como por exemplo o do Monte Verde) com características próprias, caracterizadas pela dominância e expressão de um ou outro recurso natural.  

 

Parque Natural de Monte Verde

O Parque Natural de Monte Verde possui uma área de cerca de 312 hectares e faz parte de uma cercadura montanhosa, que apresenta restos de uma primitiva bordeira, cujos pontos culminantes são o Monte Verde e Madeiral, com cerca de 744 e 680 metros respectivamente. A sua plataforma de topo, inclinada a NE, proporciona um meio favorável à incidência de humidade, factor responsável pela existência de um quadro paisagístico que contrasta com a aridez das restantes zonas da Ilha.

A especificidade da Ilha de São Vicente em matéria de diversidade biológica confina-se à riqueza em espécies de flora e fauna do Parque Natural do Monte Verde e da Ribeira Vinha.

O Monte Verde constitui um importante observatório natural de referência para a prática do turismo de montanha. Do alto do Monte Verde é possível ter vistas espectaculares de toda a ilha de São Vicente e da baía do Porto Grande com a sua cidade do Mindelo. Também se tem uma vista privilegiada da majestosa ilha de Santo Antão e do outro lado da ilha de Santa Luzia, dos ilhéus Branco e Raso e nos dias mais claros da ilha de São Nicolau. 

Dado a sua posição estratégica a nordeste da ilha, o isolamento do Monte Verde faz com que ele adquira esse caracter de individualizar a beleza e o horizonte que envolve a própria ilha.

 

 

Ribeira de Vinha

A Ribeira de Vinha está inserida entre as altitudes 30 e 130 metros, na zona árida. Trata-se de uma ribeira com um vale, essencialmente arenoso de montante a jusante. Os solos da Ribeira de Vinha são de textura média, com boa drenagem interna e influenciados, a jusante, pelo lençol freático salino, devido à acção das marés. O Vale da Ribeira de Vinha está, essencialmente, ocupado pelo povoamento florestal Prosopis juliflora (Acácia americana – espécie introduzida) e Tamarix senegalensis (tarafe).

Sendo uma zona predominantemente agrícola, a Ribeira de Vinha deve o seu nome à ribeira homónima que lá corre nos tempos de chuva, e a maior parte das propriedades que nela constam, são hortas. Por se situar numa zona fértil em lençóis de água, possui vários poços e tanques, tendo a maior parte no entanto secado com as frequentes secas que flagelaram o arquipélago na sua história recente.

A Ribeira de Vinha teve, provavelmente, a melhor de todas as amostras de povoamento de Tamarix senegalensis (tarafe), existentes em Cabo Verde. Os restos de povoamento original de tarafe correm sérios riscos de desaparecerem para sempre da zona, devido à apanha desenfreada da areia nesta ribeira.

Os restos de tarafe que ainda lá existem constituem a mais importante cintura de vegetação autóctone da ilha, podendo vir a constituir um dos principais atractivos para o fomento do turismo baseado na natureza na ilha.

Zona de Lameirão

A zona de Lameirão situa-se a oeste do Monte Verde e a leste da cidade do Mindelo, sendo atravessada pela estrada entre a cidade e a Baía das Gatas. Na zona encontram-se hortas antigas, muitas delas abandonadas devido às secas, e ainda algumas palmeiras. A zona do Lameirão é composta pelos seguintes lugares: Lameirão, Mato Inglês e Pé de Verde.

 

Ribeira de Julião

A Ribeira de Julião situa-se pouco após a saída do Mindelo, ladeando a estrada que liga essa cidade à aldeia do Calhau. É uma zona que tem conhecido grande expansão nos últimos tempos, com várias construções novas, podendo vir a tornar-se futuramente num subúrbio do Mindelo. Nela se situa o Departamento das Ciências do Mar da Universidade de Cabo Verde (UniCV, ex-ISECMAR). 

A Ribeira de Julião é famosa por aí se realizarem as festas de São João, quando grandes multidões convergem de toda a ilha para os festejos junto à igreja do lugar, no dia de São João, a 24 de Junho. Durante esta festa de romaria é dançada a tradicional dança do Colá San Jon, onde seguindo a cadência dos tambores os pares executam uma dança sensual que envolve a umbigada, ou choque frontal do baixo-ventre dos bailarinos.

 

Ribeira do Calhau

A Ribeira de Calhau fica situada no extremo Este da ilha, mesmo em frente da desabitada ilha vizinha de Santa Luzia, que está quase sempre visível. O vale que possui várias pequenas propriedades agrícolas de pequenos produtores, desemboca na Baía do Calhau, onde existe uma aldeia piscatória com o mesmo nome, hoje circundada por várias casas de veraneio. É uma zona frequentemente visitada pelos mindelenses, que vão, geralmente aos fins-de-semana, refrescar-se nas suas águas límpidas e comer pescado fresco. 

Recentemente na zona foi instalada a energia eléctrica, o que veio aliviar a população local e favorecer a sua expansão, com a construção de novas habitações. A zona de Ribeira de Calhau é composta pelos seguintes lugares: Barro Branco; Calhau; Chã de Madeiral; Madeiral; Km 10; Km 11; Km 12; Km 13; e Km 14.

 

 

Salamansa

Salamansa é uma vila de pescadores no norte da Ilha de São Vicente, mais precisamente a Nordeste da cidade do Mindelo. A vila fica à beira-mar, numa bonita baía que fica no canal que separa São Vicente da ilha de Santo Antão, que pode ser vista mesmo em frente.

A baía possui uma extensa e bonita praia de areia branca, muito aprazível para os banhistas e praticantes de desportos náuticos, com especial relevo para o windsurf e kite-surf. Há já alguns anos existe na praia uma escola de kite-surf de uma monitora polaca. 

Nesta zona celebra-se todos os anos a Festa de Santa Cruz a 3 de Maio, atraindo muita gente da cidade do Mindelo devido ao colorido da festa com muita música e muitas barracas montadas na bonita praia que vendem comida e bebidas. Tocam-se tambores e a dança do Colá é executada pelos populares, à semelhança das outras festas de romaria

da ilha, que foram trazidas pelas populações migrantes das diferentes ilhas, particularmente da ilha de Santo Antão, neste caso concreto de Salamansa.

É nesta zona que se encontra o enigma histórico-cultural, o controverso “Concheiro de Salamansa” e que tem merecido amplas discussões científicas. As escavações arqueológicas do “Concheiro de Salamansa”, na Ilha de São Vicente, é uma estância arqueológica, onde existem indícios de presença humana, talvez anterior à chegada dos portugueses ao arquipélago, em 1460, serão retomadas a partir do dia 17.  

Descoberto há seis anos por arqueólogos portugueses, o sítio gerou grande entusiasmo depois de terem sido ali descobertos objectos de uso humano que permitem especular sobre a existência de uma comunidade anterior à chegada dos portugueses, em 1460. 

A zona estatística de Salamansa inclui os seguintes lugares: Baía das Gatas, Norte da Baía e Salamansa.

 

Baía das Gatas

Perto da aldeia de Salamansa situa-se a famosa Baía das Gatas, nome de uma bela baía natural, uma pequena localidade que fica a menos de 10 km a leste da cidade do Mindelo. O nome desta baía deriva da abundância nas suas águas de uma espécie de tubarão denominado de tubarão-gata. Trata-se de uma enorme piscina natural, já que a saída para o mar está fechada por rochas que fazem uma barreira.

Baía das Gatas dispõe já de electricidade e serviço telefónico, mas ainda depende de autotanques para o transporte água potável da cidade do Mindelo. Alguns restaurantes e residenciais dão apoio aos turistas e visitantes ocasionais. Não há serviço permanente de transportes públicos, mas nos fins-de-semana existe normalmente ligação com o Mindelo, seja em autocarros ou em carrinhas.

 

A Baía das Gatas empresta a sua localidade e nome ao famoso Festival das Baía das Gatas que, pela sua importância cultural e económica, é abordada mais à frente neste documento.

 

Aldeia de S. Pedro

São Pedro é uma aldeia piscatória que fica 7 km a Sudoeste da Cidade do Mindelo e perto do Aeroporto Internacional “Cesária Évora”. O vale de São Pedro desemboca numa bela praia de areias brancas e águas turquesas, na baía homónima onde se situa a aldeia do lado esquerdo de quem vem do Mindelo. A paisagem é árida e majestosa e os ventos constantes tornam-na numa praia internacionalmente reputada para a prática do windsurf. A aldeia é pequena e pitoresca, com casas coloridas. Praticamente apenas pescadores a habitam.

No lao direito do vale existe a zona de Santo André, com uma capela como nome do santo, que há alguns foi rodeada pelo empreendimento turístico Foya Branca. Existem ainda em Santo André algumas casas particulares e um restaurante de um reformado sueco que aí vive.

Monte Cara

O Monte Cara é uma elevação com 490 metros de altitude, a oeste da baía do Porto Grande, em frente à cidade do Mindelo, capital da ilha.

O Monte Cara, que deve o seu nome ao facto do seu recorte fazer lembrar um rosto humano olhando o céu, é o ex-libris da cidade do Mindelo (ver Ilustração 10). Também já foi chamado Monte Washington ou Cabeça de Washington, segundo se diz pelos marinheiros americanos dos barcos baleeiros que demandavam o Porto Grande no século XIX à procura de tripulação e que deu origem à emigração de cabo-verdianos que se fixaram no porto baleeiro de New Bedford na zona de New England. Existe uma lenda contada pelos mais antigos de que os portugueses quando chegaram à ilha identificaram a cara como sendo de D. Afonso Henriques.

A vista do topo é espectacular, podendo-se avistar toda a cidade do Mindelo e a Baía do Porto Grande. O Monte Cara foi eleito em 2013 com uma das sete maravilhas de Cabo Verde.    

 

Baía do Mindelo (Baía do Porto Grande)

A zona costeira da Baía do Mindelo situa-se entre a Ponta de João Ribeiro a NE e a Ponta do Morro Branco a SW. As excelentes condições naturais desta baía fizeram com que fosse no passado considerado um dos portos de águas profundas mais seguros do mundo, tendo devido à sua localização estratégica no oceano Atlântico chegado a ser um dos três portos mais movimentados do planeta no século XIX. 

Recentemente a baia foi eleita como umas das baías mais belas do ao entrar para o exclusivo Clube das Baías mais Bonitas do Mundo.

O Porto Grande continua a ser o maior e melhor porto de Cabo Verde, mantendo a sua tradição de servir a marinha internacional e afirmando-se cada vez mais como um importante porto de escala de navios de cruzeiros do Atlântico médio que serve também as frotas pesqueiras internacionais que vêm fazer o transbordo das suas capturas, abastecimento e recrutamento de tripulação.

 
 

Orla costeira e praias de São Vicente

A diversidade existente ao nível da orla costeira está também relacionada com a natureza geomorfológica, geofísica, pedológica e orográfica das praias e encostas, muito condicionada por fenómenos físicos e oceanográficos dominantes - velocidade e a direcção dos ventos, correntes marítimas, ondulação e marés.

Assim, a orla costeira da ilha é composta de arribas rochosas, praias de areia preta ou branca, praias de calhaus ou de cascalho, zonas de baixios rochosos, pedregosos e arenosos, zonas de dunas e vales de ribeiras (DGMP, 1998a).

A orla costeira da ilha de S. Vicente, actualmente, é caracterizada e assumida, estrategicamente, como um recurso, constituindo-se numa das maiores potencialidades de desenvolvimento económico do país com destaque para o turismo, a aquacultura e a pesca, actividades marítimas, portuárias e industriais (produção de água e sal).

De igual modo, as várias praias das zonas costeiras, nomeadamente, na Baía do Mindelo, Baía de S. Pedro, Baía das Gatas, Salamansa, Baía de Jon d’ Évora, Baía de Flamingo, Calhau, Saragarça, Topinho, Palha Carga e Calheta, constituem centros potenciais de desenvolvimento do turismo de sol & praia, pesca desportiva e ecoturismo marinho.

 

Praia da Laginha 

A Praia da Laginha é uma bela praia de areia branca e de um azul penetrante que fica situada mesmo na Cidade do Mindelo. Trata-se de um grande activo para a cidade. A sua marginal convida todos os dias os moradores, principalmente ao final da tarde, a grandes caminhadas e exercício físicos nas “máquinas de Fitness” improvisadas na praia (ver Ilustração 12). Foi também feito pela Câmara Municipal um parque de ginástica com várias máquinas que estão ao dispor da população. 

Foi feita uma grande intervenção na praia em 2013 que aumentou substancialmente a área do areal, aumentando a praia que passou a ter capacidade para receber um maior número de pessoas. Mesmo ao pé da praia há vários bares e restaurantes que servem tanto aos moradores como aos turistas. Há lugares para prática de futebol e voleibol e vários desportos náuticos. A praia é vigiada e de fácil acesso tanto de carro como a pé, tem casa de banho pública e contentores de lixo e apresenta-se com aspecto bastante limpo.

Praia da Cova d´Inglesa 

Trata-se de mais uma praia da cidade. Tem pouca areia e que é muito frequentada pela população das zonas próximas que até fazem um festival entre os meses de Julho e Agosto. Nos meses de verão há colocação de barracas que servem comidas e bebidas. É formada maioritariamente por piscinas naturais que requerem alguma atenção. De fácil acesso de carro ou a pé mas precisa de casas de banho, cuidados de limpeza e de um nadador salvador. Situa-se à entrada da cidade e tem a Praia do Lazareto logo ao lado, fazendo todas parte da Baia do Porto Grande. 

Infra-estrutura s de segurança e de saneamento devem ser colocadas nesta praia por por forma a torna-la mais atractiva.

 

Praias da Galé e Lazareto 

Pertencem ao conjunto de praias que fazem da Baía do Porto Grande e que têm ao fundo o Monte Cara. Formam um conjunto contíguo e extenso de areia branca que serve aos poucos banhistas que as frequentam. São mais frequentadas nos meses de verão e servem a pequena vila do Lazareto que se situa lá perto. 

Parte da praia da Galé fica mesmo em frente à instalação de armazenamento de combustíveis da Vivo Energy (ex-Shell) que a mantem limpa a maior parte do ano e é por onde passa as condutas de abastecimento. Na zona do Lazareto foi feito uma placa desportiva e de actividades recreativas que permitem a prática de desportos variados. São praias não vigiadas e sem nenhuma infra-estrutura de apoio mas de fácil acesso de carro e a pé pela estrada de São Pedro. Infra-estrutura s de segurança e de saneamento devem ser colocadas nesta praia por forma a torna-la mais atractiva.

 

 

Praia da Fateja 

Esta praia fica localizada atrás do Monte Cara. É maioritariamente rochosa, com um areal que aparece somente em alguns meses do ano. É uma bela praia, um sítio magnífico, com belezas naturais que proporcionam uma paisagem descontraída e uma piscina natural para um mergulho após a caminhada. 

Não há estrada de acesso de carro e esta só pode ser alcançada subindo o Monte Cara a pé, ou em alternativa por via marítima em barcos de recreio ou bote de pesca. Não possui nenhuma infra-estrutura por causa do seu difícil acesso e de não ser muito frequentada. Não há onde colocar os lixos e se não recolhidos ficam a acumular com o que já lá está.

 

 

Praia de São Pedro 

A praia de São Pedro é uma extensa praia de águas azuis turquesas considerada uma das melhores para a prática do surf, windsurf e bodyboard mas não é recomendada a pessoas que não sabem nadar bem por causa da sua forte arrebentação, que é particularmente forte nos meses de Verão. 

A paisagem é árida e majestosa, devido às suas ondas fortes, ventos constantes e marés vivas é a praia escolhida por muitos campeões mundiais para a prática das modalidades já referidas. São Pedro é uma aldeia piscatória pequena e pitoresca, com casas coloridas, fica a 7 km a sudoeste da Cidade do Mindelo. 

A nordeste da aldeia localiza-se o aeroporto que serve a ilha. A oeste, no lugar de Santo André, está uma moderna unidade hoteleira, que dispões de quartos, apartamentos e vilas, chamada Foya Branca. Outro aldeamento turístico, São Pedro Village, esta em construção há já alguns anos. A 2 km, mais para oeste, fica o farol de D. Amélia. Na zona de São Pedro está incluída parte do complexo montanhoso do qual o Monte Cara faz parte, incluindo o ponto mais alto desse conjunto (o pico de Fateja, com 571 m). A praia não é vigiada e não tem infra-estruturas próprias de apoio, faltam casas de banho públicas, contentores para lixo e uma limpeza regular. Infra-estrutura s de segurança e de saneamento devem ser colocadas nesta praia por forma a torna-la mais atractiva.

 

Praia de Flamengo

Praia desabitada que fica no extremo de um vale paralelo ao de São Pedro, com uma montanha a separá-los mas com acessos diferentes. Chega-se ao vale de Flamengo numa estrada de terra que não é difícil de se alcançar depois de se sair da estrada de São Pedro à esquerda na zona do parque eólico. 

Com água cristalina e areia fina é muito convidativa ao banho. O mar tem ondas mas não é muito frequentada pelos amantes de prática de desportos de ondas. A praia não é vigiada, não tem casas de banho e nem material para recolha e armazenamento de lixo que são deixados na praia.  

Praia de Palha Carga 

É uma linda praia que se alcança após percorrer o igualmente bonito vale de Palha Carga, que é ladeado por montes de bonito recorte. A praia tem uma grande extensão de areia branca e preta e um mar azul que só é recomendável a bons nadadores por causas das ondas, das correntes e por falta de nadadores-salvadores. A praia é desabitada e isolada mas apresenta-se em bom estado com pouco lixo, talvez por ser pouco frequentada. 

Não é de fácil acesso para se chegar lá tem que ser com viaturas apropriadas do tipo jeep, sobretudo após a época das chuvas. O acesso necessita ser sinalizado, tornando-se difícil de encontrar se não se conhece o caminho. Há uma pequena estrutura que foi feita há muito tempo que serve de abrigo aos pescadores e aos pastores de cabras quem vem da localidade de Ribeira de Calhau e Madeiral. Também há um poço de água salobra que servia aos mesmos mas que já não tem água. 

 

 

Sandy Beach/Boca de Lapa

A praia de Boca de Lapa situa-se no sul da ilha e foi baptizada pelos surfistas “Sandy Beach”. É onde se realiza o “Open Sandy”, uma das maiores provas do circuito nacional de surf e bodyboard em Cabo Verde. Já há uma grande participação de desportistas de outros países mas ainda a competição não foi incluída no Circuito Internacional.

Segundo o site do evento “A realização deste evento é um contributo de suma importância para a promoção de Cabo Verde, das suas praias e ondas como destino turístico de eleição, aliando a prática desportiva a outras actividades que podem aumentar a visibilidade da ilha de São Vicente e de Cabo Verde no seu todo.” Não é de fácil acesso porque não tem uma estrada propriamente dita e durante e após as chuvas a estrada de terra feita pelas marcas dos carros desaparece e é preciso um carro 4x4. 

O mar não é muito propício à prática de natação devido à forte rebentação que apresenta e mesmo ao pé de rochas, mas boa para a prática de desportos de ondas. A praia possui um areal estreito e por ser considerada afastada da cidade não é frequentada pelo público em geral. Necessita de infra-estruturas de apoio, casas de banhos, co

 

Praia do Tupim

Mesmo ao lado da praia de Sandy Beach, com as mesmas condições e usa-se a mesma estrada de acesso mas com muito menos areia. Maioritariamente frequentada pelos amantes de desportos de ondas, surf e bodyboard. 

 
Praia de Saragarça 

Fica no sul da ilha e juntamente com Sandy Beach e Tupim faz um conjunto de praias que são a menina dos olhos dos amantes de surf, windsurf, bodyboard e kitesurf. Apresenta as mesmas condições que a anterior.

Baía do Calhau 

A Baía do Calhau  fica em frente à ilha deserta de Santa Luzia que nos dias de boa visibilidade pode ser vista com clareza. Apenas a 20 minutos do centro da cidade, a mesma é ideal para a prática de surf e pesca e entre a Praia Grande e a praia de Saragarça. É normal ver turistas e habitantes do Mindelo à espera dos pescadores que vêm directamente da ilha deserta de Santa Luzia com os seus pescados para tirarem fotos e também comprar alguns peixes. Serve a pequena aldeia piscatória existente na região e tem uma praia para banhos de mar e um pequeno porto de pesca na baía homónima. 

A 4 km para sul de Calhau fica a cratera do vulcão Viana, extinto e a norte do povoado também se encontram outros cones de vulcões extintos. Há uma piscina natural que fica mesmo ao pé do vulcão que já teve intervenção humana para melhor servir os banhistas. A praia é de fácil acesso e pode ser visitada de carro vindo da cidade ou a pé se hospedado ou vive na vila tem bares e restaurantes mas não tem casas de banho público. Dispõem de ligação à rede de electricidade e telefone e o transporte de pessoas é regular e feito por carrinhas de privados.

Infra-estrutura s de segurança e de saneamento devem ser colocadas nesta praia por forma a torna-la mais atractiva.

Praia Grande 

A Praia Grande localiza-se entre o Calhau e a Praia do Norte (ou Norte da Baía), no nordeste da ilha e a leste do Monte Verde. Pode-se chegar lá através da nova estrada que do Calhau ou da estrada da Baía das Gatas/Norte de Baía. O seu areal branco que se estende ao longo da costa contrasta com as rochas vulcânicas adjacentes fazendo uma paisagem idílica para os seus frequentadores e turistas. Muito frequentada por causa das suas ondas que propiciam a prática de surf, windsurf, kitesurf e bodybord. Sem nenhuma infra-estrutura de apoio, só é vigiada durante os meses de verão.

Praia do Norte da Baía das Gatas

A Praia do Norte é uma praia que fica no povoado denominado Norte da Baía e que se localiza entre a Praia Grande e a Baía das Gatas e a nordeste do Monte Verde. Muito frequentada pelos amantes da pesca à linha que lá vão passar o fim-de-semana. O mar não é muito seguro porque tem muitas correntes mas que permite banhistas pequenas incursões por não ser muito funda, embora não seja aconselhável. 

É uma praia bem frequentada mas que precisa de melhoramentos na estrada de acesso e parqueamento. Não possui nenhuma infra-estrutura de apoio e não é vigiada ao longo do ano. Precisa de limpeza constante por não ter contentores, ficando o lixo espalhado pela areia.

 

Baía das Gatas 

Baía das Gatas é o nome de uma bela baía natural, que possui uma pequena localidade com casas de veraneio e que fica a menos de 10 km a leste da cidade do Mindelo. O nome desta baía deriva da abundância nas suas águas de uma espécie de tubarão denominado de tubarão-gata. A Baía das Gatas possui uma enorme piscina natural, já que a saída para o mar está fechada por recifes naturais que fazem uma barreira, o que a torna na praia mais segura do país. Os especialistas consideram-na também a área do país melhor adaptada para a aprendizagem de vários desportos náuticos, como sejam wind-surf, vela, motonáutica, mergulho com escafandro autónomo, etc. A Baía das Gatas possui bonitos fundos marinhos do tipo coralífero, ideais para o mergulho de observação, para além da caça submarina. 

O pequeno número de habitantes que residem na localidade vive da pesca e há um ponto de arrasto dos botes que serve também os pescadores de Salamansa. Actualmente alguns moradores do Mindelo têm vindo a mudar-se para a Baía das Gatas, mas a maioria das casas continuam a ser usadas apenas aos fins-de-semana e nas férias. 

A oeste da Baía das Gatas fica a praia de Salamansa, com o seu areal a perder de vista e a leste Praia de Norte com o seu contraste banco e preto da areia e das montanhas. 

Na praia acontece todos os anos no mês de Agosto, aquele que foi o primeiro festival de música do arquipélago conhecido internacionalmente por ser também o maior e que dura durante 3 dias e 3 noites, atraindo gente de todas as ilhas e da diáspora cabo-verdiana e alguns turistas. 

A praia precisa de manutenção após as chuvas, pois o areal é normalmente é invadido e parte é arrastada por enxurradas. A recolha de lixo é feita com alguma regularidade, embora devesse ser com maior frequência.

Salamansa 

Salamansa é uma linda baía de águas claras e mornas com uma bela e extensa praia deserta que fica no canal que separa São Vicente da Ilha de Santo Antão. A Vila de Salamansa fica situada a norte da ilha no caminho para a Baía das Gatas é uma pequena localidade de pescadores, gente simples e hospitaleira. 

Há uma escola e empreendimento para aluguer de equipamentos para prática de Kitesurf e a praia é boa também para windsurf e bodyboard. O acesso à praia é feito pela estrada Mindelo/Baia das Gatas e depois a estrada que vai para a vila piscatória. Não existem infra-estruturas na praia, faltam casas de banho, baldes para recolha de lixo e a praia não é vigiada.

 

João D’Évora

Praia de areia branca e deserta do Norte da ilha; fica situada a cerca de 4 km do Mindelo, e protegida dos ventos pelas montanhas em redor. É uma praia isolada e não vigiada com fama de ser perigosa mas com óptimas condições para lazer e banhos de mar. Não tem grandes condições de acessibilidade, podendo chegar-se lá através da localidade de Cruz João D’Évora ou por via marítima. Não tem nenhuma infra-estrutura de apoio mas está previsto um complexo turístico de nome “Baía de João d´Évora” que poderá vir a mudar a actual situação. 

É necessário construir nesta praia melhores acesos e estruturas de segurança aos banhista já que é considerada uma das praias mais perigosas de São Vicente.

Ambiente

Ambiente

A sustentabilidade ambiental “pressupõe a utilização e gestão dos recursos do ambiente pelo Homem, assegurando a satisfação das necessidades das gerações actuais sem prejudicar os recursos da Terra de tal forma que as gerações futuras fiquem impedidas de as satisfazer. Reconhece-se a relação dinâmica existente entre a gestão durável dos recursos e o desenvolvimento sustentado, ou seja, um modelo de desenvolvimento económico e social dentro dos limites ambientais e tido como capaz de preservar o equilíbrio geral, o valor do meio e dos recursos naturais, assegurando a sua repartição e uso equilibrado.

O ambiente em São Vicente é marcado pela predominância da cultura urbana, com um sistema de arruamentos, calcetamento e asfalto considerado relativamente bom.

Nas fronteiras do crescimento da cidade do Mindelo, existem muitas barracas, edifícios improvisados construídos com materiais precários como latão, cartão, tecidos/sacos, madeira, etc. Esse tipo de habitação precária também se encontra em zonas já mais consolidadas em ter mos urbanos, como demonstra a Imagem 9093.

As famílias que habitam esse tipo de edifício encontram-se em situação de risco múltiplo: perigo de desabamento ou incêndio, perigo de transporte por enxurradas, vulnerabilidade a todo o tipo de insectos, vulnerabilidade ao frio e a outros elementos do clima e doenças a eles associadas.

Através da Associação Nacional dos Municípios Cabo-verdianos (ANMCV), e numa plataforma de parceria com o Governo Central e a Cooperação Internacional, o Município de São Vicente adoptou um Plano Ambiental Municipal, enquanto importante instrumento de promoção e protecção ambiental no Concelho e a nível do país, que tem contribuído para a promoção do desenvolvimento integrado e sustentável, a igualdade de oportunidades e equidade social num ambiente para todos, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável, i.e. “num modelo de desenvolvimento, que permite às gerações actuais satisfazer as suas necessidades, sem por em risco a possibilidade de outras gerações satisfazerem as suas necessidades.

Devido ao carácter transversal do PAM, a sua implementação recomenda acções concertadas entre todos os actores. Nesse quadro, três estruturas complementares operam em conjunto, quais sejam a Assembleia Municipal, a Comissão Municipal para o Ambiente, e uma Equipa Técnica Municipal para o Plano Ambiental. Nessa base de concertação, procede-se à monitorização de todos os projectos/actividades que podem ter impactos sobre o ambiente; a revisão periódica do PAM; actualização e introdução de componentes ambientais nos projectos locais; elaboração/aprovação de projectos ambientais; e elaboração/aprovação de relatórios sobre a situação ambiental no Município.

Cultura

Cultura

A Ilha de São Vicente é considerada a capital cultural de Cabo Verde. A ilha oferece um variado leque de produtos culturais que constituem um atractivo único e genuíno, com destaque para a Passagem do Ano, o Carnaval, os Festivais de Teatro e de Música e as Festas de Romaria.

A cidade do Mindelo possui um bom número de restaurantes que oferecem a gastronomia nacional e ainda oferece uma vida nocturna intensa, com muita música e espaços de diversão. A cidade dispõe de muitas galerias de artistas plásticos, pintores e escultores, e ainda lojas que vendem souvenirs de artesanato, roupas tradicionais, bebidas, doces, etc.

Atractivos culturais materiais

A Cidade do Mindelo e a sede do Concelho de São Vicente, e é a segunda maior cidade de Cabo Verde. Ocupa uma área total de 67 km² a Noroeste da ilha, na Baía do Porto Grande, porto natural formado pela cratera submarina de um vulcão com cerca de 4 km de diâmetro. O Ilhéu dos Pássaros, com 82 metros de altitude e que hospeda um pequeno farol, sinaliza a outra extremidade da cratera. 

Mindelo é o resultado de duas grandes influências coloniais, a portuguesa e a britânica, que se anunciam ao virar de cada esquina nos seus arruamentos e na arquitectura dos seus belos edifícios. 

Destacam-se o Palácio do Governador, a Câmara Municipal, a Pracinha da Igreja - o berço da cidade, a partir da qual foram construídas as primeiras casas e traçadas as primeiras ruas - a Avenida Marginal com a réplica da Torre de Belém de Lisboa, o Fortim d'el-Rei que é a construção mais antiga existente em Mindelo, com uma soberba vista panorâmica sobre a cidade e a baía e a Alfândega Velha, hoje Centro Cultural do Mindelo, único local instituído como guardião dos riquíssimos testemunhos da arte cabo-verdiana.

Em relação ao Fortim d’el Rei, pelo marco histórico que representa, convém mencionar que foi erguido em 1852, com a função de defesa do Porto Grande e da cidade. Prevê-se o desenvolvimento de um projecto turístico-imobiliário de alto nível, visando a sua preservação, transformação e requalificação.

 

Torre de Belém (Réplica), Antiga Capitania dos Portos 

As obras da Réplica da Torre de Belém, antiga sede da Capitania do Porto Grande começaram em 1918 e terminaram em 1921 mas os anexos ficaram concluídos somente em 1937 servindo as mesmas de moradia para o Capitão-mor (ver Ilustração 28). Foi construída a imitar a Torre de Belém em Lisboa, junto ao mar, numa torre de três pisos de base quadrada, em alvenaria de tijolo e de pedra e cal, e com um observatório na cobertura. 

É decorada com símbolos manuelinos, torres de vigia e ameias em massa, imitando a Torre de Belém. Está inserida num conjunto murado que, na parte voltada para a Rua da Praia, apresenta também características do estilo manuelino e no interior, existe um pátio, coberto por telheiros. 

O edifício foi construído para albergar a sede da Capitania dos Portos que lá funcionou até 1967 aquando da construção do novo edifício na Avenida Marginal. Em 1997 foi assinado um acordo entre os governos português e cabo-verdiano para o restauro do edifício após anos de abandono e degradação. A recuperação foi feita em duas fases sendo a primeira a Torre (2001-2002) que se encontrava em ruinas e a segunda incidindo sobre a zona envolvente - anexos, muros exteriores, telheiros, etc. Com a restauração a Torre foi aberta como museu contendo uma exposição constituída por telas com a história da urbanização das ilhas de Cabo Verde, com uma piso dedicado a São Vicente. Em 2013 foi anunciado que o edifício iria ser transformado em Museu do Mar o que acabou por acontecer e foi inaugurado a 12 de Abril de 2014.


Biblioteca Municipal, Alliance Française do Mindelo 

Os edifícios da Biblioteca Municipal e da Aliança Francesa do Mindelo ocupam o terreno onde outrora existia uma única casa, casa esta que já existia num plano de 1858 e pertencia ao primeiro presidente da Comissão Municipal do Mindelo, mesmo antes da criação da Câmara Municipal (ver Ilustração 29). 

Construída em torno do que era então a praça central, a Praça Dom Luiz, a casa era cercada por árvores e pátios. Em 1860 foi adquirida pelo governo, para abrigar a Administração do Concelho, a Repartição da Fazenda, os Correios, a Capitania dos Portos e a Delegação da Junta de Saúde em diferentes anos. O edifício foi comprado pela Companhia de São Vicente Cabo Verde (companhia de carvão), que fez grandes obras de renovação e aí instalou os seus escritórios. Para aproveitar toda o terreno e onde antes existia uma casa foi transformada em um quarteirão com diferentes edifícios.

Após a independência tornou-se sede do partido PAIGC e instalou-se aí também os escritórios da Juventude Africana Amílcar Cabral. Hoje, os edifícios são ocupados pela Biblioteca Municipal, pelo Consulado Francês e pela Alliance Française do Mindelo (1997) que abriu o seu primeiro Centro de Cabo Verde em São Vicente em 1977 (o Centro Cultural Francês de Cabo Verde).

Alfândega Velha, Centro Cultural do Mindelo

Projectada e dirigida pelo Capitão de Estado Maior do Exercito Januário Corrêa de Almeida, também Engenheiro Civil, esse edifício foi construído em 1858-1861 e ampliado em 1880-1882. Faz parte do grupo dos edifícios mais antigos da cidade, tendo aí funcionado antiga Alfândega. Trata-se de uma construção térrea, erigida sobre a baía. Apresenta um corpo central rematado por frontão, que exibe um delicado desenho arquitectural, com uso de pedra branca e molduras de vãos de estilo clássicos (ver Ilustração 30). 

Com a necessidade de organizar os serviços aduaneiros em 1851, quando começaram a chegar os navios a vapor da Companhia Royal Mail, a Alfândega foi elevada a categoria de Maior ou de Primeira Ordem. Com isso houve a necessidade de construir o edifício e o cais. O primeiro edifício feito de início a título provisório deu lugar ao edifício hoje existente que era mais conveniente aos progressos das ilhas de S. Vicente e de Santo Antão. No mesmo ano que Mindelo ascendia à categoria de Vila (1858) começavam as obras da Alfândega, a primeira obra da Vila do Mindelo. 

Funcionou como Alfândega até 1976, passando depois a albergar durante algum tempo o Instituto dos Seguros e o Notariado e em 1983 passou a Museu Etnológico. Foi restaurado em 1997 e hoje alberga a Delegação do Ministério da Cultura, possuindo uma sala de teatro onde todos os anos em Setembro se assiste ao Festival de Teatro internacional Mindelact, o Março Mês de Teatro e outras actividades de música e dança ao longo do ano; há também salas de exposição onde já passaram diversos artistas nacionais e internacionais. A exibição de filmes e lançamentos de livros também se encontram na programação do centro. Foi restaurado novamente em 2011 pelo Ministério da Cultura. 

Capitania dos Portos, Comando Naval, RTC

Situado na Avenida Amílcar Cabral (Avenida Marginal para a população) o edifício foi construído entre 1961‐1967 e é atribuído ao arquitecto Lucínio Cruz. O edifício da Capitania, como era chamado, foi um dos primeiros a serem feitos na ilha no novo estilo de construção da arquitectura moderna, o modelo do bloco isolado, assente sobre pilotis (estrutura assente em pilares). Feito com uma suave curvatura para acompanhar a forma da marginal e com quatro pisos, este edifício era um orgulho tanto para o Governo como para o Comando Naval. 

Depois da independência passou a funcionar no edifício a Delegação Escolar (saiu anos depois) e a Rádio (hoje RTC). Já esteve bastante degradado mas ultimamente encontra-se em melhores condições depois de algumas remodelações, mas não sofreu nenhuma transformação significativa na sua arquitectura. O edifício mais pequeno hoje alberga a Policia Judiciaria- Delegação de São Vicente. 

 

 

Consulado Inglês 

Pertence ao conjunto dos edifícios mais velhos da cidade, tendo pertencido a John Miller, representante da Companhia Visger & Miller (1853). A casa ficou conhecida como o Consulado Inglês porque John Miller foi Cônsul Inglês por várias vezes 1870-75, 1877-80 e 1885-94 e o consulado funcionava na sua casa (ver Ilustração 32). Não se sabe a sua data de construção mas a primeira vez que foi referida/referenciada num Boletim Oficial foi em 1874, pelo que se especula que seja anterior a 1870. 

Foi vendida ao Estado de Cabo Verde depois da independência que pretendia ai instalar a Escola de Artesanato, primeiramente denominada de Cooperativa Resistência e depois de Centro Nacional de Artesanato (CNA). Conservou essa função até o Centro ser transferido para o novo edifício na Praça Nova. Nessa altura pretendia-se transformar o edifício numa casa de chá. Posteriormente em 2009, a Câmara Municipal de São Vicente pretendia instalar aí a Cinemateca do Mindelo, onde ficaria exposto todo o espólio do Cinema Éden Park doado pela Sra. Maria Luísa Marques e seria criado também o “núcleo museológico” dedicado ao Porto Grande. Nenhum desses planos saiu do papel. O edifício encontra-se bastante degradado e precisa de reparações profundas urgentes.       

 

Cais acostável do Porto Grande (1959-1961)

A sua construção começou em 1960 após muita insistência do deputado de origem cabo-verdiana, Dr. Adriano Duarte Silva, que defendeu durante anos a construção do porto junto das autoridades portuguesas. 

O porto foi inaugurado a 3 de Maio de 1961, e modernizado em 1997 com a construção do parque de contentores e o terminal de cabotagem e melhoramento do cais de pesca. Constituído por três molhes em forma de “F” unidos pelo cais de acesso, possui um cais de pesca e cinco armazéns de mercadorias cobertos. Mantem o “focus” em três áreas de negócios, Turismo de Cruzeiros, Transbordo de Contentores e o Tráfego Internacional de Navios de Pesca. O Terminal de Cabotagem construído em 1997 veio aliviar o tráfico no cais, sendo utilizado para passageiros e cargas do tráfico nacional (ver Ilustração 33). Foi feita também uma Gare Marítima com bar, cafetaria, sala de espera e de atendimento, parque de estacionamento e um terraço panorâmico que permite uma visão agradável da baía e da cidade.

Fortim D’el Rei 

Construído entre 1852 e 1853 devido à necessidade de proteger a baía por causa do comércio de carvão. Feito numa arquitectura muito sóbria, o Fortim é constituído por uma estrutura térrea, de forma aproximadamente quadrangular em planta, com um pátio central e com salas internas envolvidas por varanda e terraço (ver Ilustração 34).

É a construção mais antiga da cidade, mas foi sujeita a várias reparações e ampliações dependendo das funções que na altura decidiam atribuir-lhe. Foi estação de sinais em 1881 e Cadeia Civil entre década de trinta e setenta do século passado, aquando da transformação da cadeia existente em Quartel Militar e só deixou de o ser quando a actual cadeia da Ribeirinha foi construída em 1971. Esteve durante muitos anos ocupado por uma família que servia de guarda e durante este tempo esteve condenado ao abandono. Encontra-se em completa ruina e somente com algumas paredes de pé. Em 2008 foi dado a título de concessão à empresa Fortim Mindelo S.A. que comprou os terrenos adjacentes para a construção de um casino que se encontra dentro do projecto turístico-imobiliário pretendido para o lugar.

Atractivos culturais imateriais

Carnaval

Das várias manifestações de natureza cultural que se realizam em Mindelo, o Carnaval é, sem sombra de dúvidas, a que envolve o maior número de pessoas. Envolve de uma maneira geral, todos os artistas plásticos populares e as mais prendadas costureiras da cidade, sendo a confecção toda nacional. Ao lado dos grandes carros alegóricos, produtos de uma imaginação provida de sonhos, desfilam os comediantes tradicionais a que muito impropriamente o povo chama de «espontâneos» ou de «grupos de animação». 

No Mindelo, o sonho se transforma em fantasia e a mulher se torna em rainha, mucama, escrava persa, princesa das mil e uma noites ou sereia e desce para o asfalto nas tardes e noites de Carnaval, para marcar o compasso em ritmo do samba, batucada ou marcha, num louvor à beleza, agitando o sossego da cidade. Esse é o desafio das mulheres adormecidas à vida, para depois acordarem na Quarta Feira de Cinzas com os sonhos todos desfeitos.

 

Festival da Baía das Gatas

Desde 1984, que o Festival de Música da Baía das Gatas (Imagem 5147) é realizado anualmente no primeiro fim-de-semana de lua cheia do mês de Agosto. Começou por ser um encontro de amigos que se reuniam na praia da Baía das Gatas para compor e tocar música. 

Cresceu de ano para ano, até se tornar num evento musical de referência internacional, um autêntico encontro de gentes, culturas e vozes de todos os quadrantes do mundo, pois, todos os anos chegam músicos de todo o mundo para esta grande festa de música onde obviamente predominam os ritmos africanos. Para além da actuação de artistas e bandas nacionais e estrangeiras, há também desportos náuticos e uma variada programação cultural. O festival é tão concorrido que todos os quartos disponíveis ficam completamente lotados e os voos para São Vicente totalmente saturados.

Género

Género

O Município de São Vicente, como de resto todos os Municípios do país, tem a sua própria unidade de apoio à promoção de igualdade e equidade de género. Sugere-se o estabelecimento de protocolos de parceria com essas ONG nacionais para facilitar a abertura de delegações ou outras formas de representação em São Vicente, reforçando, por essa via, a articulação, eficiência, eficácia e complementaridade das acções.

Na vertente de discriminação positiva a favor da promoção da Mulher em Cabo Verde, o Governo instituiu, em 1994 e com sede na cidade da Praia, o Instituto da Condição Feminina (ICF), transformado em Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) em 2006, após ajustamentos nos seus Estatutos. O propósito principal dessa instituição é imprimir maior eficácia e dinâmica à observância do princípio constitucional de igualdade e equidade de género, e com a finalidade de promover políticas para a igualdade de direitos entre o Homem e a Mulher, e a efectiva e visível participação da mulher em todas as esferas de actividades do país.

O ICIEG tem jurisdição sobre todo o território nacional e trabalha em parceria com a Câmara Municipal de São Vicente e as forças vivas do Município (i.e. ONG e OBC).

Num plano mais abrangente, o ICIEG tem sido muito activo e tem estado a trabalhar numa plataforma de parceria, complementaridade e colaboração com as ONG de âmbito nacional, nomeadamente a Associação Cabo-verdiana para a Protecção da Família (VerdeFam), OMCV, MORABI, Associação de Mulheres Juristas (AMJ) e Associações Comunitárias, fomentando a promoção de estratégias inovadoras e flexíveis, assentes numa cultura de participação e parcerias.

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