Barlavento Ribeira Brava

A vila da Ribeira Brava, também conhecida popularmente (em crioulo) por Stanxa (do português Estância), é a sede do concelho do mesmo nome.
Órgãos Eleitos 
Contactos
Contexto histórico
Contactos
Situação Socioeconómica
Actividades Económicas
Turismo
Ambiente
Cultura
Género
Órgãos Eleitos 
Órgãos Eleitos 

Constituição da Câmara Municipal do círculo eleitoral da Ribeira Brava 
José do Rosário Martins
Maria do Rosário Cabral
Maria de Jesus Silva Conceição
Porfírio Almeida Mestre
Osvaldo Fonseca
 
 
Constituição da Assembleia Municipal do círculo eleitoral da Ribeira Brava 
Benvindo Cabral Almeida - MPD
Antonino Pascoal Lopes de Brito - PAICV
Crisolita do Rosário Costa - MPD
Suzi Lopes da Silva Chantre - PAICV
Manuel de Barros Neves - MPD
Emanuel de Brito Gomes - PAICV
Antónia Mirtó Duarte Fonseca - MPD
Nadine Solange Brito dos Reis - PAICV
Francisco Assis Gomes da Graça - MPD
Januário Arlindo Gomes - PAICV
Eneida Isabel Brito Gomes da Graça Morais - MPD
Fabiêna Mota Dias - PAICV
Leidy Lene Costa Cabral - MPD
Contactos
Contactos

 

Endereço: Cidade da Ribeira Brava

 

Telefone: (+238) 235 11 94

 

Fax:           (+238) 235 11 95

Contexto histórico

Contexto histórico do Município

O Município da Ribeira Brava foi formado a partir da cisão do antigo concelho de São Nicolau em dois novos concelhos. O concelho da Ribeira Brava é constituído por duas freguesias: Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora da Lapa.

A sede do concelho é Ribeira Brava, uma vila/cidade com ruas estreitas e onde, pela sua arquitetura e simbolismo, se destacam a Igreja Matriz e o Seminário-Liceu, este aberto em 1866. Durante muitos anos foi o centro da intelectualidade cabo-verdiana, e também o berço do movimento literário “Claridade”, um marco para a literatura cabo-verdiana, fundado por nomes como Baltazar Lopes, Manuel Lopes, João Lopes e Jorge Barbosa em 1936, distingue-se como um importante foco de cultura que veio influenciar várias gerações de intelectuais cabo-verdianos
 

 Criação

O Município da Ribeira Brava, foi criado através da Lei nº 67/VI/2005, de 9 de maio, quando a ilha de São Nicolau passou a estar administrativamente dividida em dois Concelhos.
 

 Localização geográfica;

A ilha de São Nicolau localiza-se aproximadamente no centro do arquipélago de Cabo Verde e faz parte do grupo das ilhas de Barlavento. Está situada entre os paralelos 16º 40, 16º 29 N e os meridianos de 24º 00 e 24º 30W. 

Ocupa uma área de 343 km², tendo 45 km no maior comprimento (sentido E-W) e a largura máxima de 25 km (sentido N-S), sendo considerada a quinta maior ilha do país. Em dias favoráveis, no cume do Monte Gordo, no coração de São Nicolau, pode avistar-se todo o arquipélago cabo-verdiano.

População

Segundo o INE em 2010, o município possuía uma população de 7596   habitantes sendo 3893 do sexo masculino e 3703 do sexo feminino. E de acordo com projeção desta mesma fonte para o ano de 2017 o município contou com 7.135 habitantes sendo que 3755 masculinos e 3280 do sexo feminino.

Contactos
Contactos

 

Endereço: Cidade da Ribeira Brava

 

Telefone: (+238) 235 11 94

 

Fax:           (+238) 235 11 95

Situação Socioeconómica

Situação Socioeconómica 

O Município da Ribeira Brava com mais de 280 anos de existência, tem a sua sede na Cidade do mesmo nome, situado, tal como o nome sugere, numa ribeira, circunstância que lhe impõe desafios acrescidos; 

Correcção das encostas, reposição da ribeira principal e córregos nos respectivos leitos, reabilitação de moradias degradadas, substituição e alargamento da rede de água às zonas periféricas da cidade têm sido levados a cabo, se bem que, limitações financeiras e orçamentais têm dificultado a execução de suas políticas ao nível desejado, na perspectiva de adequada requalificação da cidade.

À pretensão de requalificação urbana, juntam-se as de alargamento das redes de água e energia e implementação da rede de esgotos, de dotação de equipamentos públicos essenciais para a segurança e melhoria da qualidade de vida da população, traduzidos em um grande desafio à gestão urbana de Ribeira Brava.
 

Habitação;

Com base nos últimos dados em Ribeira Brava - São Nicolau vivem cerca de 2.423 agregados familiares dos quais cerca de 87,2 % vivem em alojamento com ligação à rede pública de água e cerca de 95,6 % da população dispõe de eletricidade como fonte de energia.

Mais de 78% dos agregados familiares em Ribeira Brava - São Nicolau vivem em alojamentos clássicos, isto é, quase ninguém vive em garagens, barracas, contentores, fábricas etc. 

Cerca de 83,4% dos agregados familiares possuem casas de banho com retrete, e 90,7% tem fogão de gaz ou capim gás, 66,49% dos agregados familiares possuem pelo menos um telemóvel, 87,5% dispõe de aparelho TV, 53,8% deles tem telefone fixo 69,25% tem frigorífico e 33,4% possuem computador.

É neste contexto que, a partir de 2008, deu-se inicio à construção do bairro social de Campedrada, concluído em 2010.
 

 Água 

A população não carece de falta de água de uma forma geral - segundo o relatório da junta de recursos hídricos, 87,2 % da população é servida no que toca ao abastecimento da água, com uma capacidade de 22l/hab/dia. A distribuição é feita através do sistema de redes, chafarizes fontanários e auto tanques.

Dentro em breve, grande parte do Concelho vai ser abastecida com água dessalinizada, sendo que a Unidade Dessalinizadora que se situa na Preguiça.
 

Saneamento

Em relação ao saneamento básico nota-se claramente que não existe um sistema funcional, apesar da expressão da vontade de conservar o ambiente e melhorar as condições de vida, em termos da saúde pública, higiene e ambiente, assim como para o seu desenvolvimento turístico.

Atual organização da recolha de resíduos – existe um sistema de recolha pública de resíduos domésticos no cento urbano de Ribeira Brava e nas principais localidades do Concelho. Na Cidade de Ribeira Brava a recolha é efetuada duas vezes por semana (Segunda-feira, Quarta-feira e Quinta-feira) com a ajuda de um camião que percorre as ruas e depois descarrega numa lixeira localizada perto da Cidade, lixo que é regularmente incinerado pelo condutor. Essa recolha é também feita nas principais localidades, nomeadamente na Preguiça, na quinta-feira e em todo Vale de Fajã (de Cachaço a Estância-Brás) na Sexta-feira. Lá onde houver contentor, o lixo é recolhido independentemente da escala dos outros dias. Não há qualquer tipo de separação na recolha.

Em todas as Terças-feiras é feito a recolha dos contentores que encontram-se cheios e nos restantes dias de semana faz-se a recolha dos demais contentores que encontram distribuídos nas seguintes comunidades: 2 em Topo Vermelho, 1 em Belém, 2 na Preguiça, 2 em Estância-Brás, 1 no Morro Braz, 1 em Carvoeiros e 3 em Juncalinho.

Os resíduos hospitalários do tipo infeccioso são recolhidos separadamente levados para a lixeira oficial onde são incinerados. Os outros resíduos não infecciosos são recolhidos durante a recolha normal.

A gestão dos resíduos sólidos está sob a responsabilidade do Gabinete Técnico do Município. Existe uma regulamentação municipal em termos de resíduos que prevê sanções no caso de infracções à salubridade pública.
 

Saúde 

Ribeira Brava, conta com um Centro e uma Delegacia de Saúde, com 2 médicos e 14 enfermeiros.

A Delegacia de Saúde de São Nicolau cobre toda a população do Concelho de Ribeira e do Concelho do Tarrafal.

É constituída:

Sede da Delegacia de Saúde

1 (dois) Centros de Saúde

2 (dois) Postos Sanitários

10 (dez) Unidades Sanitárias de Base 

A delegacia de saúde possui:

Um laboratório de análises clínicas 

Um serviço de radiologia 

O Centro de Saúde da Ribeira Brava é uma das unidades “hospitalares” do concelho. Tem capacidade para 22 camas. 

Cobre a parte mais significativa do Concelho em termos de população e está dotado de uma equipa de funcionários, para além do Delegado de saúde que o dirige diretamente, e que também presta serviços clínicos.

As deslocações são efetuadas na viatura da delegacia que se encontra em bom estado de conservação.

Diretamente ligado a este Centro de Saúde, existe o Posto Sanitário de Fajã que também presta os serviços de saúde nesta localidade.

Igualmente com a cobertura deste Centro de Saúde encontram – se 8 (oito) U.S.Bs:

Carriçal

Juncalinho

Morro Braz

Preguiça

Queimadas

Talho

Estância de Braz

Covoada

A nível da Saúde, iniciativas do sector privado de grande valor vão surgindo no Concelho, nomeadamente o Consultório privado virado para atendimento médico familiar e análises, Clínica dentária de Aureliano Santos, Farmácia GABY e o Consultório de oftalmologia e loja de venda de óculos. 

 Educação 

O Município de Ribeira Brava possui uma estrutura educativa local muito forte, baseada numa rede de escolas espalhadas por quase todas as localidades do Concelho, garantindo à população maior e melhor acesso ao processo ensino aprendizagem, como tal ao conhecimento e ao saber.

Segundo o Anuário da Educação para o Ano de 2012/2013, no Município de Ribeira Brava os indicadores de educação traduziam-se no seguinte:

1.296 alunos foram matriculados em 15 escolas do ensino básico com 59 turmas distribuídos por várias localidades do Município da Ribeira Brava;

898 alunos foram matriculados no ensino secundário na Escola Secundária Baltazar Lopes da Silva na Cidade da Ribeira Brava e na Escola Secundária da Fajã.

 

Pobreza 

No meio rural, verifica-se o abandono da atividade agrícola de sequeiro, que outrora ocupava parte significativa da mão-de-obra.

Segundo dados do INE em 2015 ,33,4% da população de Ribeira Brava é pobre. A pobreza está espelhada em todas as localidades da ilha, apesar de muitas vezes a realidade socioeconómica ser camuflada, devido ao orgulho Sanicolaense.

O desemprego e/ou o sub-emprego são os principais factores que concorrem para a pobreza na ilha, para além da forte migração.

Actividades Económicas

Atividade económica 

A economia de Ribeira Brava é caracterizada essencialmente por disfunções de carácter estrutural que estão intimamente ligadas a escassez de recursos naturais, ausência de definição da real vocação da ilha em matéria de desenvolvimento, a fraca concentração de capital, falta de recursos humanos qualificados que está intimamente ligado à sua condição de ilha periférica e fenómeno migratório e imigratório. 

O domínio produtivo da Ilha está fortemente dominado pelo sector primário, assumindo a agricultura, a pesca e a pecuária papel de destaque, embora em termos de distribuição do emprego o sector terciário ocupa a primeira posição, com cerca de 48%.
 

Agricultura

O município continua a deter uma forte vocação agrícola, de sequeiro e irrigada. Das áreas cultiváveis significativa maioria situa-se em encostas e pequenas parcelas em achadas e leitos de ribeiras.

As culturas irrigadas caracterizam-se pela sua pequena superfície, bem como a sua dispersão nos espaços hortícolas. O vale de Fajã é onde esse tipo de agricultura é praticado com maior expressão a nível do Concelho, a par de pequenas explorações ao longo do vale da Ribeira Brava, Camarões e Ribeira Funda.

No regadio cultiva-se a cana sacarina (que de uma forma geral ocupa cerca de 2/3 da área cultivada), banana, hortícolas raízes e tubérculos. Apesar da fraca tradição do cultivo de hortícolas na ilha, a sua produção conheceu incremento acentuado com a introdução de novas práticas agrícolas. No concelho de Ribeira Brava, a prática de cultivo de hortícolas de sequeiro em zonas húmidas, ainda não constitui realidade.

As principais culturas de sequeiro produzidas na ilha são o milho, o feijão e tubérculos. Uma melhor organização desta forma de agricultura passa pela utilização dos solos de acordo com a sua vocação natural. Para tal, deve-se criar na ilha incentivo a prática de agricultura de sequeiro segundo os estratos climáticos, preservando deste modo o equilíbrio ecológico.
 

Pecuária 

A pecuária é um sector de forte tradição no Município e está intimamente ligada ao setor agrícola. Esta é caracterizada pela exploração familiar e constitui um complemento importante para o rendimento dos agregados familiares. 

Os criadores, são também na sua maioria agricultores, dedicam à criação essencialmente de caprinos/ovinos e suínos em regime extensivo, utilizando raças locais com elevada rusticidade e fraca produtividade. Normalmente os animais pastoreiam de forma livre e descontrolada provocando a degradação do solo, da cobertura vegetal e degeneração genética. Existe situação de conflituosidade com os agricultores por invasão das áreas cultivadas e florestais devido a prática do pastoreio livre. É opinião generalizada dos actores que a pecuária é um sector importante para a ilha. Contudo a forma como é feita a condução dos rebanhos torna-se difícil a sua valorização. Não existe uma produção sistemática de carne e de leite e por conseguinte dos seus derivados. O controlo dos rebanhos é feito de tempos em tempos através de uma pratica tradicional “Brada” onde os criadores recolhem os animais para marcação/controlo e ordenha, mas o leite não é aproveitado. Estes criadores demonstram interessados numa maior produção de pasto, introdução de espécies de maior qualidade nutritiva, melhoramento de raças, contudo, manifestam uma forte resistência na utilização de estruturas de confinamento de gado.
 

Industria 

Atividades industriais existentes no Município limitam-se basicamente a pequenas unidades de carpintaria e marcenaria, reparações mecânica e panificação.

Considera-se que a gestão empresarial constitui um sério entrave à afirmação das unidades. As oficinas de carpintaria, marcenaria e reparações mecânicas, panificadores e outras são geridas de forma empírica, quase sempre pelos proprietários, sem qualificações adequadas à corretã gestão, em base empresarial.

A nível de transformação de produtos agropecuários, à exceção da produção de aguardente, não existe no município a tradição, pelo que se torna necessário promover ações que visem a dinamização dessas atividades.

Verifica-se algum incremento da atividade de construção civil, se bem que, praticada de forma autónoma, excetuando as grandes empresas que se instalam ocasionalmente para atuarem nas grandes obras públicas;

Distribuição de efetivos Pecuários por espécie outras atividades de carácter recente, como o artesanato, as artes gráficas e a prestação de serviços, são incipientes, tanto em termos de volume de emprego como da produção.
 

Comercio;

O sector do comércio caracteriza-se pela existência de pequenas casas comerciais, venda a retalho, serviços de restauração, bares, etc. 

A fraca dinâmica do setor e o fraco poder de compra da população do município, condicionam o volume de negócios do sector. 
 

Pesca

A distribuição da população no Município foi fortemente influenciada por factores de ordem geográfica ou económica. Sendo a actividade piscatória uma forma de subsistência, faz com que tal como acontece com as zonas onde existem condições para a prática da agricultura, encontremos concentrações da população em algumas zonas do litoral de Ribeira Brava. 

A Pesca tem tradicionalmente desempenhado um papel relevante no desenvolvimento socioeconómico de São Nicolau, não só pelo número de pessoas que depende dela, mas também pela sua contribuição no tocante ao enriquecimento da dieta alimentar da população.

As principais comunidades piscatórias do concelho são Preguiça (comunidade relativamente próxima da Cidade da Ribeira Brava) e Carriçal que também constitui uma das fortes comunidades piscatórias da ilha. O Carriçal vem perdendo alguma importância no que toca a sua contribuição para o sector de pesca, por um lado, devido à inoperância da unidade conserveira aí localizada.

A comercialização do pescado é feita através de membros da sua família, sobretudo das mulheres. A maior parte da produção comercializada é peixe fresco e quantidades mais pequenas são salgadas e/ou secadas.

Turismo

Turismo

O Município de Rª Brava de S. Nicolau apresenta grandes potencialidades turísticas nos mais variados domínios. Refere-se por exemplo, ao turismo de Montanha, Turismo rural, histórica e cultural. Uma visita ao Município constitui um componente aliciante para os turistas que poderão encontrar alternativa para complementar a experiência de outras ilhas mais planas. 

Em Ribeira Brava é possível descansar, relaxar e contemplar a natureza (pôr do sol) na sua beleza e calma selvagem, com toda a segurança e tranquilidade, bem como desfrutar de caminhadas, com o objetivo de explorar terrenos despovoados, grutas, belas paisagens, com montanhas e vales, uma flora e fauna com espécies raras e um património histórico riquíssimo.

Neste particular, se destaca, o Parque Natural Monte Gordo, uma das sete maravilhas de Cabo Verde.
 

Atrativos Turísticos Naturais

Longe de ser um Concelho com vocação balnear, baseado no dualismo sol/praia, Ribeira Brava não deixa, todavia, de possuir excelentes atractivos naturais, como sejam a sua temperatura amena, as suas belas paisagens relaxantes, com montanhas e vales para caminhadas, uma flora e fauna com espécies raras e nalguns lugares, o mar com a pesca e as praias de areia negra.  

No Município de Ribeira Brava é possível descansar, relaxar sob o sol e refrescar-se nas águas ainda pouco poluídas do mar. As caminhadas, com o objectivo de explorar terrenos despovoados ou contemplar a natureza (por do sol) na sua beleza e calma selvagem, podem ser feitas com toda segurança e tranquilidade. Por outro lado, e para quem procura férias mais radicais, Ribeira Brava oferece possibilidades de prática de desportos como “voos delta”, alpinismo, montanhismo, pesca desportiva (pesca do “blue marlin” peixe espada raro e outros de grande porte) e submarina, automobilismo todo terreno entre outros, todas oportunidades de recuperar o contacto com a natureza.

Destacam-se no Município da Ribeira Brava vales imponentes ladeados de relevos montanhosos como os Vales da Ribeira Brava, da Fajã e das Queimadas e ainda o vale da Covoada, este de difícil acesso e que constitui um interessante desafio para os amantes de caminhadas, pois o percurso de subida da montanha que separe o Vale da Covoada do verdejante Vale da Fajã, oferecendo uma vista deslumbrantes de ambos.

O Parque Natural de Monte Gorgo (a zona dentro do Município de Ribeira Brava) e a Reserva Natural O Monte do Alto das Cabaças são considerados os centros de maior concentração de espécies da flora autóctone e da vegetação natural do Município de Ribeira Brava, e Fajã de Cima e Lombo Pelado (Vale de Fajã, Monte Gordo), zonas de maior concentração do dragoeiro a nível nacional, uma árvore que se tornou um símbolo da ilha de S. Nicolau.


Parque Natural de Monte Gordo (Município de Ribeira Brava)

O Parque Natural de Monte Gordo, particularmente a zona que fica dentro do Município de Ribeira Brava, é dotado de uma variedade relativamente grande, de raros tipos de habitats, entre os quais uma vasta extensão de habitats de Tortolho (Euphorbia tuckeyana), o Dragoeiro (Dracaena draco), considerada uma espécie endémica de Cabo Verde, bem como a Macela do Gordo (Napliu smithii), uma espécie endémica, encontrada apenas nesta Reserva Natural


A reserva natural tem sido objecto de visita de vários grupos científicos que vêm de várias partes do mundo para observar plantas e aves endémicas.

Pela sua importância científica e de destaque turístico, o PNMG foi escolhido como uma das sete maravilhas de Cabo Verde.


“Monte Casador”

Monte Casador” localiza-se entre as localidades de Água das Patas e Cachaço mítico “Monte Casador” (em português, monte casamenteiro) que, através do jogo das pedrinhas é-lhe reservado o mágico poder de adivinhar o destino das moças, relativamente à sua sorte de casar ou não, mantendo-se bem presente no imaginário popular


  

Vale de Ribeira Brava

Deve o seu nome ao aspecto impetuoso da sua ribeira em épocas de chuvas. Vale majestoso de uma beleza rara que tem o seu ponto mais alto no Monte Cintinha e o ponto mais baixa na praia de nome ‘Prainha’


Vales de Queimadas e Fajã

O Vale de Queimadas começa numa zona costeira perto  da localidade de Carvoeiros e tem o seu ponto mais alto na cintura montanhosa que engloba o Monte Cintinha. O vale é dividido em Queimadas-de-baixo e Queimadas-de-cima. Trata-se de um vale estreito, mas muito bonito e de fácil acesso. Possui uma paisagem verdejante devido à agricultura ali praticada e um conjunto harmonioso de casas em ambas encostas das montanhas que o ladeiam.

O Vale da Fajã começa numa zona costeira de nome Estância-de-Baixo e tem o seu ponto mais alto a zona do Cachaço. Está dividido em Fajã-de-Baixo, Fajã-de-Cima, Canto-de-Fajã e Lombo Pelado


Reserva Natural Monte Alto das Cabaças

O Monte do Alto das Cabaças é considerado um dos maiores centros de concentração de espécies da flora autóctone e da vegetação natural do Município de Ribeira Brava a par do Parque Natural de Monte Verde e Vale de Fajã

Inserido na zona sub-húmida, o Alto das Cabaças faz parte da segunda cumeada da ilha que vai de leste a oeste. Constitui, com os seus 656 m, a maior elevação do leste. As encostas íngremes constituem, devido à sua inserção entre as cadeias de montanhas de leste e oeste, uma barreira de intersecção dos ventos húmidos, provenientes do mar. Origina-se assim uma grande quantidade de precipitações ocultas que beneficiam a vegetação local.


Zonas costeiras

A maior parte das zonas costeira cai a prumo sobre o mar, formando por vezes, falésias impressionantes e constantemente batidas pelo mar. Mas também há praias de areia negra muito bonitas embora um tanto perigosas em termos de natação, nomeadamente as praias ‘Prainha’, Curral Velho, Preguiça, Carriçal, entre outras.

Por outro lado, as praias de areia preta são ricas em titânio e iodo e são procuradas por quem sofre de artrite e doenças reumáticas. Essa areia oferece o antídoto ao stress do quotidiano mais agitado. Os habitantes dessas praias com o seu saber-fazer utilizam algas marinhas e o calor da areia para aplicarem massagens relaxantes a interessados no alívio de dores e cansaço.


Caminhos vicinais

Para além da rede de estradas principal, pavimentadas em asfalto ou em calçadas, o Concelho da Ribeira Brava está bem servido em termos de vias carroçáveis, caminhos vicinais que partem de todos os lugares e passíveis de assegurarem acesso seguro às mais recônditas localidades. Desde os vales de relevos montanhosos, como são os casos dos vales de Covoada, até os vales da Fajã, Queimadas e Ribeira Brava, detentores de uma paisagem única de enorme grandeza e beleza, onde a convivência homem e natureza se conjuga numa harmoniosa simbiose.

Ambiente

Ambiente

A preocupação com o meio ambiente assumiu cá também importância redobrada, reconhecidas que foram os impactes ambientais negativos, resultantes da degradação do meio ambiente a nível local, sobre as condições e a qualidade de vida das populações.

Estudos realizados pelo INGRH indiciam que somente 13% (ou 118 milhões de m3) das chuvas que caem sobre o arquipélago recarregam os aquíferos, enquanto 87% perde-se por escoamento superficial e evapo-transpiração. Tal circunstância é aqui agravada pelas condições orográficas, e pela erosão que se verifica nas zonas altas, que facilita a desagregação de material inerte, que, depositado nos leitos das ribeiras, que é arrastado em grandes quantidades pelas enxurradas.

Na zona baixa a cidade sujeita-se à erosão costeira, que impõem a tomada de medidas e de mitigação urgentes.

Ribeira Brava apresenta particularidades que agravam a sua vulnerabilidade:

Situada nas margens de uma ribeira, encravada entre dois maciços montanhosos, os riscos de enxurradas e derrocadas são reais, como de resto ocorreram em 2009 e 2010.

A gestão ambiental ao nível local é efectuada pelo município através dos serviços de ambiente e saneamento, auxiliado por um conjunto de normas e planos que regem segundo as leis nacionais em matéria ambiental.

O Plano Ambiental Municipal, elaborado no âmbito do II Plano de Acção Nacional para o Ambiente (PANA II), afigura-se como um documento de extrema importância na gestão ambiental ao nível do município a par do Código de Posturas Municipal, do Plano Director Municipal que determina a vocação dos solos e a sua utilidade, do Plano de Recolha e Tratamento dos Resíduos Sólidos e do Plano Director para as Águas Residuais (em busca de financiamento).

As ONG’s de cariz ambiental também possuem um papel importante na gestão ambiental, pois conseguem afectar recursos que possibilitam a implementação de pequenos projectos junto das comunidades vulneráveis, visando a sua sensibilização para as questões ambientais.

Cultura

Cultura

A cultura do Município é riquíssimo e traduz um conjunto de tradições, manifestações e modos peculiares de fazer determinadas artes e produção de objetos de valor etnográfico, na forma de utensílios do uso quotidiano de grande valor educativo, heranças culturais que têm conseguido sobreviver através das gerações. Neste particular pode-se realçar: a música, a dança e a literatura.
Ribeira Brava possui um passado extraordinário em termos de tradições culturais, com destaque para as festas tradicionais e de romaria (caracterizadas por numa simbiose perfeita entre o religioso e o profano), o Carnaval, o batismo e o casamento tradicionais, a gastronomia, as tradições orais, etc. Os festejos dos santos populares são, sem dúvida, daqueles em que o povo cabo-verdiano mais se diverte e folga. Embora já não possuam o brilho e aparato de outros tempos, as festas de Santo António, S. João, S. Pedro e S. Pedrinho são ainda motivo de animada e concorrida concentração em determinada vila, aldeia e até descampado.
 

Atrativos Culturais materiais

Atrativos Culturais Materiais (património natural e construído)
O Concelho possui um riquíssimo potencial histórico e cultural. Em matéria de património construído, destaca-se:


A Estrutura arquitetónica

Organizadas em torno de distintos eixos urbanos que causam admiração do forasteiro que visita a Cidade da Ribeira Brava .O Edifício dos Paços do Concelho e a Praça “Cónego Bouças” são referências arquitetónicas na Cidade de Ribeira Brava. As ruas estreitas mantêm as características morfológicas e tipológicas representativas de uma época e de uma anterioridade, sob o ponto de vista da tradição urbanística que se afirmou em Cabo Verde.




A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário

Mandada construir em Junho de 1804, na praça principal da vila pelo frei Silvestre de Maria Santíssima, é um templo magnífico, tanto na grandeza como na sua estrutura, contendo um espólio de arte sacra que inclui um cálice de ouro maciço do tempo do rei D. Manuel, artisticamente esculpido da base à haste;



Ex-semanário Liceu

A primeira instituição de instrução católica construída pelos portugueses em África. Capela de São José - São Nicolau, cabeça da comarca de Barlavento desde 1851, aliada à grande tradição de ensino, quer por incitava de particulares, quer por obra do governo que ali sustentava três escolas de instrução primária, em 1867 recebe o primeiro Seminário - Liceu de Cabo Verde, debaixo da protecção de São José e da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Nossa Senhora, padroeira dos reinos e domínios de Portugal.

 



Escola Central (actual Biblioteca Municipal)

Datada de 1947, a Escola Central, actual Biblioteca Municipal, revela-se uma obra imponente, com fachada típica do Estado Novo, mostrando a concepção de uma cidade bela e harmoniosa
O edifício está fortemente ligado ao ensino em Cabo Verde, cujas primeiras tentativas de instituição do ensino no País, no século XVIII, coincidem com a assinatura do alvará que elevou Ribeira Brava à categoria de vila.

 



O Terreiro

É um pequeno quadrilátero situado no centro histórico, alberga os mais importantes monumentos da urbe, incluindo a Igreja matriz, representa o lugar de centralidade e de convergências, local de encontro dos anciãos, das brincadeiras das crianças e dos casais de namorados.



O Orfanato Rainha Santa Isabel

Foi uma instituição de cariz puramente religiosa. Nele acolhiam-se crianças do sexo feminino que eram entregues aos cuidados das Religiosas do Amor de Deus.
Foi instalado no Caleijão, no edifício que fora a antiga residência dos bispos. Foi fundado em 1943 e durante a sua existência, até os anos setenta, desempenhou, junto da população, um papel extraordinário na educação cívica e cristã bem como na moral e nos bons costumes. O Orfanato era visto, nos seus tempos áureos, como uma fonte de formação feminina onde as moças aprendiam a arte de bem-estar, bem-fazer e bem-servir.
O Orfanato chegou a ser prisão de alemães nazis no fim da II Guerra Mundial. Hoje ainda de pé, orgulhosamente em ruínas, à espera de um bom restauro que lhe devolva a dignidade que teve nessa época de ouro para São Nicolau. Existe já financiamento para o seu restauro e futuro Museu de Arte Sacra.

 


 

Antigo Forte do Príncipe Real da Preguiça

Porto da Lapa (primeiro desembarcadouro da ilha) - a história conta e os registos confirmam que no ano de 1500, aos vinte e dois dias de Março, passou ao largo desta ilha de São Nicolau a armada da capitania de Pedro Álvares Cabral na rota para a descoberta das terras de Vera Cruz .O padrão do tipo henriquino está situado no porto da Preguiça, principal ancoradouro da época que possibilitava o fornecimento em água e viveres.

 




A estátua do Dr. Júlio José Dias

O Dr. Júlio Dias ofereceu a sua própria casa para a implantação do Seminário-Liceu, que mais tarde viria a ser convenientemente ampliada, pois que os objectivos da igreja poderiam gorar-se por falta de imóvel apropriado para o fim em vista . Esse benemérito, tanto como cidadão como profissional, cujo busto ainda está colocado na Cidade de Ribeira Brava foi o primeiro médico cabo-verdiano, cujos estudos foram feitos em Paris na faculdade da Sorbonne e concluídos em 1830.

 



Estátua do Dr. Baltazar Lopes da silva

 Concebida entre 2006 e 2007 e implantada na praça dos correios em 23 de Abril de 2007, destaca este intelectual sanicolauense .
Baltasar Lopes da Silva nasceu na aldeia do Caleijão na ilha de São Nicolau em Cabo Verde, no dia 23 de Abril de 1907. Concluiu os seus estudos secundários em São Vicente, viajou para Portugal para estudar na Universidade de Lisboa, onde formou-se em Direito e Filologia Românica. Depois da universidade, Baltasar Lopes regressou a Cabo Verde, onde exerceu o cargo de professor no Liceu Gil Eanes em São Vicente.



Atrativos Culturais Imateriais

O Concelho da Ribeira Brava possui um passado extraordinário em termos de tradições culturais, com destaque para as festas tradicionais e de romaria (caracterizadas por numa simbiose perfeita entre o religioso e o profano), o Carnaval, o baptismo e o casamento tradicionais, a gastronomia, as tradições orais, etc.
O Concelho encarna no seu seio todo um conjunto de tradições, manifestações culturais e modos peculiares de fazer determinadas artes e produção de objectos de valor etnográfico, na forma de utensílios do uso quotidiano de grande valor educativo, heranças culturais que têm conseguido sobreviver através das gerações. Isso concede-lhe um estatuto de perpetuador de testemunhos e sentimentos de pertença da cultura de Cabo Verde, pelo que se destaca enquanto verdadeiro espaço de educação, recriação e partilha cultural e preservação da memória colectiva local da nação cabo-verdiana. Neste particular pode-se realçar: a arte de confecção artesanal e tradicional de ferramentas e instrumentos ligados à agricultura e pecuária, a arte da cestaria, a arte e habilidade de se fazer um grogue de qualidade invejável, sem se esquecer da arte de produção artesanal de tambores, instrumentos base das fortes festas juninas celebradas na ilha.
 

Festas Tradicionais

As romarias realizam-se ao longo de quase todo o ano, e proporcionam ocasiões e locais de encontro de gentes de uma região que acorrem para conviver, reavivar ou renovar conhecimentos, saber notícias de fora, entabular relações e até negócios, estreitando, assim, os laços que enformam as comunidades.
Destacamos as romarias de Nossa Senhora do Rosário, realizadas em Outubro na Cidade da Ribeira Brava; de Nossa Senhora da Lapa que tem lugar em 8 de Setembro na localidade das Queimadas, e, uma das mais concorridas da ilha, não só pelos aspectos religiosos como pelas actividades lúdicas que a integram, de Nossa Senhora da Cintinha, que se realiza na localidade de Cachaço, num domingo de Maio. Do programa consta sempre uma parte religiosa (com missa, procissão e sermão), seguida de diversões, folias animadas com fogo-de-artifício e grogue.
Os festejos dos santos populares são, sem dúvida, daqueles em que o povo cabo-verdiano mais se diverte e folga. Embora já não possuam o brilho e aparato de outros tempos, no Concelho da Ribeira Brava as festas de Santo António, S. João, São Pedro e São Pedrinho são ainda motivo de animada e concorrida concentração em determinada vila, aldeia e até descampado.
“S. Pedro - 29 de Junho - A seguir ao Carnaval, São Pedro é a maior festa popular do Município da Ribeira Brava. Festejada na sede do concelho, com muitas actividades, com destaque para o dia 28 de Junho onde se destaca o “saltá lumnar”, o intenso e cadenciado rufar dos tamboreiros, com grupos organizados da Cidade e do Vale da Ribeira Brava, acompanhados das coladeiras, num ritmo intenso e de muita animação.
No dia 29 de Junho, o largo da Passagem, em plena ribeira que atravessa a cidade, pessoas vindas de toda a ilha esperam ansiosamente pela corrida de cavalos, prato forte do dia. De manhã é celebrada a missa na igreja matriz, dedicada a S. Pedro. O rufar dos tambores intensifica à tarde, com a descida em desfile do célebre e tradicional barco da zona de Chãzinha, acompanhado dos tamboreiros e das coladeiras. As festas de S. Pedro, a cada ano que passa têm maior projecção, com a vinda de muitos emigrantes para assistirem a essa grande manifestação cultural do município da Ribeira Brava.” (Agenda Cultural da Câmara Municipal de Ribeira Brava).
O “Saltá Lumnar” - Geralmente na véspera das festas tradicionais, à noite, a tradição manda fazer uma grande fogueira e muitos jovens aproveitam para saltar a fogueira, conhecido por “saltá lumnar”, acompanhado do intenso e cadenciado rufar dos tambores e do sensual e ritmado “colá sanjon”
É neste ambiente que se desenrola o “colá” – dança típica, a um ritmo excitante de tambores, no meio de um barulho ensurdecedor de apitos e gritos delirantes, homens e mulheres, aos pares, correm uns para os outros, de braço ao alto, para embaterem de frente o baixo-ventre e as coxas duns contra os outros. Depois do choque apartam-se para continuarem num vaivém que dura até ao cansaço.

 


 

As Romarias e festas tradicionais do município

Reis - 6 Janeiro - Ribeira Prata/Juncalinho;
Carnaval - Fevereiro/Março - Ribeira Brava;
Pascoela - Abril - Caleijão/Estância Braz:
Nª. Sª. Monte Cintinha -  IIº Domingo de Maio - Cachaço;
S. António - 13 Junho - Preguiça;
S. João - 24 Junho - Carvoeiros;
S. Pedro -  29 Junho - Ribeira Brava/Lompelado;
S. Pedrinho - 1º Domingo a seguir a S. Pedro - Ribeira Brava;
Nª. Sª. da Lapa -  8 Setembro - Queimadas;
Todos os Santos - 1 Novembro - Fajã;
Sª. Cruz - 3 Maio - Vale da Ribeira Brava;

Dia do Município da Ribeira Brava e do Sr. S. Nicolau - 6 dezembro - Ribeira Brava.


Carnaval

O Carnaval da Ribeira Brava é muito celebrado e unanimemente aceite como o segundo mais importante do país, logo após o da vizinha ilha de São Vicente; o centro da pequena Cidade da Ribeira Brava transforma-se numa passarela de carros alegóricos trajes coloridos e muita música, desde sambas de sabor brasileiro a ritmos carnavalescos locais, que dão um brilho especial a essa festa, motivo que faz da ilha uma paragem obrigatória durante aquele período.
O Carnaval na Ribeira Brava tem as suas origens no Entrudo trazido para as ilhas pelos portugueses e segundo os mais antigos, os seus festejos começaram logo no início do povoamento da ilha de São Nicolau. Posteriormente, por influências externas, designadamente brasileiras e da vizinha ilha de São Vicente terá evoluído para o formato actual com coloridos desfiles de grupos rivais. 
O Carnaval na ilha foi crescendo, crescendo, passando por fases diversas, de simples mascarados a grupos organizados, cantando alegremente pelas ruas da Cidade da Ribeira Brava e não só.
Tradicionalmente alguns foliões mascaravam-se e animavam as pessoas que se deslocavam ao centro da Vila para se divertirem com as momices dos outros. Com o passar dos tempos começaram a aparecer em forma de grupos organizados.
Em 1952, um desses grupos organiza-se e veste-se uniformemente com a farda de marujos. O grupo já vinha com o nome de Equador. Festejavam tanto na então Vila da Ribeira Brava como no Calejão. No estandarte exibiam o símbolo do Equador. Porém, por razões políticas, foram alertados de que não deviam continuar a utilizar tal símbolo. 
Num encontro do grupo Equador do qual faziam parte o famoso Negro Sarafe, Cândido de Ti Toi, César Pimentel e António Sacristão, nasceu o Grupo Copa Cabana substituindo o Equador, e o símbolo do Grupo passou a seu um grande coração simbolizando a Vida e o Amor. Nascia assim, um dos grupos mais populares de São Nicolau e de Cabo verde. O Negro Sarafe foi homenageado este ano de 2014 com o lançamento de um selo dos Correios de Cabo Verde
Em 1959 aparece pela primeira vez nas ruas da Vila, um vistoso Grupo ostentando um estandarte com um imponente coração vermelho que simbolizava a Vida e o Amor. Trazem uma alegria contagiante, sambando e pulando ao som das suas lindas canções. Desta forma airosa, surge, pela primeira vez, nas ruas da então Vila da Ribeira Brava, o Grupo Carnavalesco Copa Cabana.
Começam então os desfiles nocturnos sugeridos por Sarafe. Assim, numa harmoniosa simbiose e numa profusão de Som, Luz e Cor, o Carnaval ganha mais vida. Os anos vão passando e, de ano para ano, surge um Copa cada vez mais lindo, mais vistoso e muito mais pomposo.
A imaginação fértil dos artistas traz para as ruas um colorido cada vez maior até que aparecem os andores, autênticas obras de arte, cada vez mais sofisticados, fazendo do Carnaval de São Nicolau uma das festas mais lindas e animadas de Cabo Verde.
O Carnaval entranha-se cada vez mais no sangue e no espírito do Sanicolaense e é com certa expectativa e entusiasmo que se aguarda o Fevereiro de cada ano, pois, a inspiração e a capacidade dos elementos que trabalham os preparativos do Carnaval não têm limites. É a garantia de que os seguidores dos fundadores do Copa Cabana vão sempre a aperfeiçoar-se numa competição saudável com o seu eterno rival, o Estrela Azul, em que ambos vão ganhando pontos a cada ano e elevando cada vez mais alto o brilho e o nome do Carnaval de São Nicolau.
O grupo Estrela Azul é hoje, sem dúvida, um dos esteios do carnaval em São Nicolau. Surgido do extinto Ladeirista, o Grupo Carnavalesco Estrela Azul, fundado na década de 60, por um grupo amante das festas do Carnaval é hoje uma referência bem marcante do Carnaval em São Nicolau e não só.
O desfile deste grupo era feito marchando pelas ruas da Ribeira Brava, partindo da zona de Ladeira, passando por S. João, Monte Alegre, meio D’Stancha, Chãzinha terminando no Terreiro.
A confecção do primeiro andor ocorreu em 1980 com a denominação de “Standard”. Trazia alguns escritos sobre o grupo seguido por um outro chamado “capelinha”.
O grupo Estrela Azul foi sempre dotado de uma postura populista e amiga, sendo sempre o primeiro a tomar a iniciativa de os seus reinados visitar os reinados dos outros Grupos, uma tradição até agora seguida, e de grande valor e importância.
Com uma alegria contagiante, o Grupo Estrela Azul vem emprestando às ruas da Vila da Ribeira Brava um colorido cada vez mais vistoso com os seus reis e reinados vestidos a rigor, exibindo nos seus andores, ricamente adornados.
A tradição diz que o Carnaval de São Nicolau se festeja durante três dias: sábado à noite, domingo e terça-feira, todos à tarde. Os grupos com mais destaque são o Copa Cabana e o Estrela Azul e recentemente o grupo Brilho da Zona que tem vindo a singrar no Carnaval da Ilha.
O Carnaval é uma das manifestações populares de maior destaque em todo o Município da Ribeira Brava, visto que as suas particularidades demonstram de uma forma expressiva o substrato cultural do Sanicolauense.
É de salientar que a concorrência entre os grupos é revelada na confeção dos trajes, dos andores, na organização dos desfiles e nas cantigas com o fito de melhorar a qualidade. Os grupos não disputam prémios, optando apenas por receber um mero apoio financeiro ou em material para a confeção dos trajes e andores. Os preparativos começam logo após o ano novo, no maior sigilo, visando uma renhida competição.
Enquanto nas outras ilhas utilizam o gesso na confeção dos andores, em S. Nicolau utilizam a técnica de “Smebód”, que consiste numa mistura de trigo com pasta de papel dissolvido em água fervida com o qual modelam as figuras.
Está a ser construída a futura Casa da Memória do Carnaval com o propósito de deixar os marcos desta festa para a posteridade

 



Artesanato

O artesanato da Ribeira Brava é um dos artesanatos cabo-verdianos mais conhecidos: produção de rendas e bordados, a cestaria, as miniaturas em madeira, bijuteria, entre outras
Porém o artesanato que mais caracteriza este Município e a Ilha de São Nicolau é a cestaria. No Município de Ribeira Brava e em São Nicolau no geral encontram-se diversos tipos de objectos de cestaria, que essencialmente consistem num entre cruzar das tiras, de folhas de coqueiro, varinhas de verga, “canas de cariço”, varas de alguns arbustos como: jardineira, “barnedeira”, marmeleiro, etc. confeccionando apetrechos domésticos de diversa utilidade tais como balaio, canastra, sapateira, balaio de “tentê”, etc., trabalhos que vão resistindo no tempo e que se mantém manuais e artesanais. As esteiras são fabricadas com folhas de coqueiro, nervuras secas de folhas de bananeira e ainda existe uma planta aquática chamada “goia” que atinge dois metros ou mais de altura, cujas folhas extraem tiras para fabricar esteiras.
Para além desses produtos acima referidos podemos destacar trabalhos em coco, embora com pouca relevância. Existem também algum artesanato em pedra nomeadamente moinhos de mão, pilões, que são destinados à utilização comum.

Artesanato no Concelho de Ribeira Brava
 

Gastronomia

É muito particular desta ilha o “Modje de Capóde” (caldo de carne cabrito capado e legumes como mandioca, banana verde, batata, abóbora, inhame, tudo cortado aos cubos), o rolão (milho ralado em tamanho médio) e o friginato (preparado com miudezas e carne de porco).
A mandioca, cujo cultivo foi incrementado em 1810, como um dos recursos contra a fome, ocupa uma área considerável em relação ao total de outras culturas tradicionais.
O fabrico da Farinha de Pau (farinha de mandioca) é um importante marco da Cultura saonicolauense, que vem perdurando por gerações e que durante os meses de Março e Junho a moagem assume-se como uma tradição familiar .
A importância desta tradição está reflectida numa música, em que a proposta é a moça se casar com o pretendente que a vai sustentar com a farinha de pau, pelo seu rico poder nutritivo.

 



Música

A canção “Sodade”, celebrizada por Cesária Évora, foi escrita nos anos 50 do século passado, que tenta transmitir as saudades daqueles que deixavam a ilha em busca de uma vida melhor, na sequência das grandes secas e fomes, rumo às roças de São Tomé, é sem dúvida a pérola da música de São Nicolau e da Ribeira Brava em particular. A morna, a coladeira, a contradança, a mazurka e a polka são as manifestações mais importantes.

Género

Género

Dados do Censo 2010 do INE apontam para a existência de uma proporção maior de indivíduos do sexo masculino (52%) em relação aos indivíduos do sexo feminino (48%) no município de Ribeira Brava, contrariando o cenário nacional em que a proporção de população feminina é ligeiramente superior à masculina.

Dos 7.580 habitantes, a maioria (3.888) é masculina.

Não obstante os progressos alcançados a nível de desenvolvimento económico e social, a pobreza atinge ainda um número significativo de famílias, tendo maior incidência nas famílias chefiadas por mulheres, normalmente com um número elevado de filhos.

Programas e projetos de descriminação positiva, ações que visam o empreendedorismo feminino e a formação/capacitação das mães chefes de famílias, capacitação orientada para o apoio na criação de atividades económicas alternativas, recorrendo ao micro-crédito, surgem como ações de discriminação positiva.

É incipiente o número de jovens e mulheres com possibilidade de acesso a formação profissional; Sem escola de formação profissional local, distante das existentes, as dificuldades de acesso são elevadas.

Os factores que bloqueiam o desenvolvimento das mulheres são sem dúvida a sua baixa instrução (a educação é determinante na pobreza e na exclusão social), as influências culturais (o facto das mulheres estarem mais confinadas ao lar), o elevado n.º de agregados chefiados por mulheres (45,8% - INE Censo 2010) e a desresponsabilização do pai na criação/educação dos filhos. Este cenário acaba determinando que o índice da violência contra as mulheres seja considerável.

Criou-se no país uma rede de atendimento a vítimas da Violência Baseada no Género (VBG) que visa atender e apoiar adequadamente as vítimas de violência doméstica, que opera em rede para prevenir e assegurar o devido acompanhamento.

O gabinete de atendimento às vítimas de violência baseada no género de São Nicolau foi inaugurado em Dezembro de 2011.

Funciona no comando da PN, onde são feitos os registos que depois são encaminhados para o ICIEG. Segundo o mesmo, alguns casos de violência doméstica são encaminhados para a Polícia Judiciária (PJ) e para a Procuradoria da República.

ENDEREÇOSede
LOCALIZAÇÃOOnde nos encontrar?
https://anmcv.cv/wp-content/uploads/2020/10/ilhas.png
REDES SOCIAISLinks
NEWSLETTERSubscreva

    ENDEREÇOSede
    Edif. IFH Bloco C-R/C, Achada Santo António - Praia
    (+238) 262 36 34
    anmcv35@sapo.cv
    Delegação
    Avenida Baltazar Lopes da Silva, Mindelo – São Vicente
    (+238) 353 04 36
    LOCALIZAÇÃOOnde nos encontrar?
    https://anmcv.cv/wp-content/uploads/2020/10/ilhas.png
    REDES SOCIAISLinks
    NEWSLETTERSubscreva

      Visitas desde 15/02/2022: 43573

      Copyright © 2022 ANMCV. Design & Developed by Cloud Technology

      Copyright © 2022 ANMCV. Design & Developed by Cloud Technology