Uma transição digital socialmente justa e sustentável é uma das recomendações saídas do 3º Fórum da Cooperação Municipalista da Lusofonia que decorreu sob o lema “Desenvolvimento local e a localização dos ODS-Uma visão assente no processo de transição digital dos territórios”.
Helena Rebelo Rodrigues, comissão organizadora do evento, deixou por isso um vivo apelo para os países que estão mais à frente puxarem os que ficaram para trás, através do estabelecimento de alianças e intercâmbios de experiência.
“A transição digital pode ser um fator de conexão territorial para abrir oportunidades às zonas rurais. Porém, deve ser uma transição humanista, colocando as pessoas à frente da tecnologia, não deixando ninguém para trás. Sendo, para isso, necessário estabelecer estratégias de transição socialmente justas e sustentáveis. Esta é uma missão e um desafio de todos os autarcas que desempenham um papel importante na promoção do desenvolvimento”, afirmou Rodrigues.
Deverá ser um desafio a redução do fosso digital entre indivíduos das diferentes origens sociais, tendo em vista o alcance dos ODS fixados na Agenda 20/30. Mas, lamentavelmente, há duas e até três velocidades no processo de transição tecnológica entre os países da lusofonia. “Todos os municípios são chamados para a construção de países mais igualitários e justos, com cada vez mais transparência, empatia e humildade. Os ODS são o enquadramento para que todos contribuam, com especial atenção às autoridades que estão em uma posição estratégica, daí a necessidade de se debater as melhores políticas e as medidas a serem adotadas.”
O Poder Local é uma das maiores conquistas da democracia e o seu papel é insubstituível. O Poder Local deve garantir a boa governação do território e pôr os alicerces para a localização dos ODS já que a sua implementação depende em boa medida dos governos locais e regionais, não só como impulsionadores da Agenda 20/30, mas também como agentes de transformação. A tecnologia tem um papel crucial na resiliência às mudanças climáticas, pelo que é preciso políticas de desenvolvimento que tenham como pilar a inovação tecnológica acessíveis.
É certo que a pandemia pôs em relevo a desigualdade digital dos territórios, realçando que esta fenda incrementa as desigualdades entre os países. Realçar ainda que as tecnologias representam um poderoso instrumento para a realização do poder local, essencial à promoção e participação cívicas e ao reforço da proximidade e da cidadania nos territórios. Mas entende que ainda é preciso muita formação nas novas tecnologias por parte da população e dos governos.
Rodrigues terminou desafiando as pessoas a fugirem do pensamento único e afirmando que a democracia é sinónimo de liberdade e que o pensamento único anula a criatividade e o pensamento crítico. Pediu aos governos que seja garantida a proteção dos direitos humanos na era digital. Já sobre a Rede das Autoridades Locais da Lusofonia pelos ODS, defendeu que deve ser fortalecida, deve aproveitar as oportunidades que se abrem para a realização de projetos comuns e considerar a incorporação de novos membros.

